19 dagar

19 dagar

Om 19 dagar ska jag gifta mig. Jag har inga kläder, inga gäster ej eller fotografer, och jag har varken ringar eller blommor. Men det som irriterar mig mest är att jag inte har min bröllopstårta. Därför, och i stället for att leta efter en snygg klädsel, är jag mer intresserad på att hitta den perfekta tårtan.

Än så länge har jag bläddrat igenom tusentals Google bilder och kommit fram till att jag bestämt mig för att min bröllopstårta, den ska jag baka själv.

gulosaudosismo

 

chá de Natal sueco

   Li  num fórum de mulheres portuguesas,  um post em que uma das utilizadoras, de partida para um fim-de-semana no Luxemburgo, pedia sugestões de restaurantes portugueses nesse país. (Quem conhece o Luxemburgo sabe bem que difícil é tentar encontrar alguém que não fale português, ou um local onde não se vendam carcaças e frangos assados.)

E isto porque, se há coisa sem a qual qualquer emigrante, português ou não, não pode viver é a sua comida. Perderá a língua, esquecerá eventualmente os hábitos e costumes, mas a pratada de chispe, mesmo  quando à mesa já só se sentarem os Jean Claudes e as Jessicas, lá estará para lembrar a dependência, quase genética, que temos em relação à comida dos nossos antepassados.

 Eu não sou imune a este gulosaudosismo, e mato por vezes saudades no paraíso virtual dos emigrantes portugueses, a loja do Continente online.

A propósito de um xarope de cenoura, receita da minha avó, que fiz para o viking, e que me fez lembrar o sabor do “chá” de limão com mel que costumava beber quando estava com dores de garganta, visitei as prateleiras online da secção “chás e infusões”.

Eu tinha a ideia de que uma chávena com água quente e umas ervas de molho, podia aliviar a tosse, ou um estômago fustigado pela supra citada chispalhada, mas estava errada. Dentro destes pacotinhos de “chá infusão” há cura e ajuda para quase todos os problemas, causados ou não pela gula.

Há “chás infusões” para a celulite, para a boa forma, com efeito spa, adelgaçante, há chá para a aliviar os problemas de pedra nos rins,  infusões ”barriga lisa”, ”ventre plano”, ” emagreplan”  e “emagriplan –  cintura” e “emigriplan –  homem”. Chás que promovem  um “colesterol saudável” e a “redução dos diabetes”. São cinco páginas de produtos, com preços desde 16 a 1500 €/kg.

Grande negócio este em que se transformou o “chazinho” de limão ou de camomila. Negócio e  desplante, porque é preciso ter lata para vender um chá “estimulante sexual”,  ou, espantem-se, “chá seios firmes”.  Mas será que há alguém no seu juízo perfeito que compre um chá com a ideia de que ficará com as mamocas mais rijas??  Será feito de silicone?

A mim chega-me o prazer de uma caneca de chá, âmbar de cor, com um cheirinho a Natal, açúcar e leite, o que não vai certamente ajudar a minha inexistente batalha contra a celulite.

Sourdough – segunda e última parte

Para quem acha que isto do sourdough é muito giro, tudo natural e freak, boa sorte,  aqui em casa nunca mais! Como a receita que segui propunha,  comecei por misturar  uma chávena de farinha com uma chávena de água, coloquei tudo numa caixa bem fechada, e guardei num lugar seco e sem correntes de andar. (Eu deixei dentro do meu forno desligado.) Ao segundo dia o preparado tinha, como havia escrito, um líquido suspeito. Segui as instruções, deitei metade desta massa fora e acrescentei mais meia chávena de farinha e meia chávena de água. (Para mim que sou poupadinha, este deitar fora de ingredientes, ainda que seja só farinha, faz-me um bocado de confusão…)

Foi portanto com muita expectativa que, no tercceiro dia, tirei do forno a minha caixinha com o starter, o milagre que daria origem a muito pão, de tal forma que, segundo li, teria suficiente produto para dividir com os meus amigos. Parece-me que isto do sourdough é uma espécie de flor de  iogurte (Kefir). (Deus nos livre de outra vaga de frigoríficos cheios de caixas de meio quilo de margarina Flora com coisas a crescer dentro.)

Já tinha, felizmente, na mão a máquina fotográfica. Abri a caixa, e realmente mosquitos não havia. Não havia porque tinham todos fugido, os meus gatos também, foram-se esconder debaixo da cama. Eu, como tinha prometido fotografias, aguentei-me! A massa estava a borbulhar, o que penso seria bom sinal, mas o cheiro! O cheiro! Estive a pensar desde ontem ao que cheirava o meu starter, uma mistura de queijo que esteve no frigorífico dentro de uma caixa de plástico durante semanas e vários autocarros cheios de trabalhadores de Lisnave de volta a casa depois do trabalho. (Compreendam a falta de graça desta comparação, falta-me o engenho de Suskin.)