Pan de Muertos

Há um pão para todas as ocasiões. Do México chega esta receita de Pan de Muertos, um pão feito especialmente para o Dia de Todos os Santos. Depois de preparado, aromatizado com água de flor de laranjeira e sementes de funcho, e decorado com pedaços de massa em forma de ossos, este pão é levado para os cemitérios e oferecido aos entes queridos já partidos.   Não deixem que o aspecto do pão vos impeça de tentar esta receita tão diferente e cheia de sabores deliciosos. Se não celebram o Halloween ou acham o significado do pão demasiado móbido,  o que não é o nosso caso, dêem-lhe apenas um feitio arredondado e decorem se o desejarem com outros temas.

Notas: Se não encontrarem água de flor de laranjeira, usem  apenas a raspa de laranja. As sementes de funcho/erva doce, fazem o pão saber a anis,  usem-nas com mão leve! A estrutura e sabor deste pão é semelhante ao brioche.

A receita foi adaptada do livro Bread: Baking by hand or bread machine  

 Ingredientes: (1 pão)

  • 1 colher de chá de fermento seco de padeiro/ 10 gramas de fermento de padeiro fresco
  • 2 colheres de sopa de água
  • 320 gramas de farinha
  •  1 colher de chá de sal
  • 3 ovos batidos
  • 70 gramas de manteiga derretida
  • 2/3 de chávena de açúcar
  • 1 colher de chá de sementes de anis/erva-doce em pó ou desfeitas no almofariz
  • 1 colher de sopa de água de flor de laranjeira
  • Raspa  da casca de uma laranja
  • Açúcar para decorar

 Preparação:

Dissolvam o fermento na água.

Numa tigela grande misturem a farinha com o sal. Façam um pequeno poço no centro e acrescentem o fermento dissolvido. Com uma mulher de pau misturem farinha suficiente para que se forme no centro da tigela uma pasta. Cubram com um pano e deixem descansar 20 minutos.

Passado este tempo acrescentem os restantes ingredientes (reservem um pouquinho dos ovos) Misturem, incorporando a farinha, até obterem uma massa bastante  húmida e pegajosa.

Amassem a massa na vossa bancada, ligeiramente polvilhada de farinha, durante 10 minutos.

Deixem a massa levedar durante 2 horas ou até a massa duplicar de volume.

Retirem um pedaço da massa para as decorações. Formem uma bola com a restante massa e coloquem-na no tabuleiro de ir ao forno. Com os pedacinhos de massa  façam uma bola pequenina para  topo do vosso pão (representa um lágrima), e 8  tirinhas de massa mais pequenas que cruzadas aos pares, representam os ossos. “Colem” os “ossos” à bola usando o restinho dos ovos que reservaram diluído num pouco de água. Se os “ossos” caírem, prendam-nos com palitos.

Deixem o pão fermentar mais 30 minutos.

Pincelem com ovo, polvilhem levemente com sal e levem ao forno a uma temperatura de 180ºC durante aproximadamente 35 minutos. O pão deve estar douradinho e ter um som “oco” o que indica que está cozido.

Figos ao quadrado

Quando éramos pequenos era hábito dos meus pais levarem-nos em “expedições” para praias mais ou menos desertas onde passávamos o dia a brincar e tentar ajudar o meu pai, pescador amador de “alto gabarito internacional”, com os seus sacos e malas de equipamento, canas, iscos e anzóis. Por vezes, penso que por causa da  mudança da maré, a expedição era nocturna, e enquanto o meu pai pescava o resto da família aninhava-se nos sacos de dormir a ouvir, num rádio daqueles ainda com um capa de pele, o “Quando o telefone toca”.

Certa tarde, na minha memória estávamos em Melides, na altura  ainda poucas pessoas passavam férias na costa alentejana, quando pela areia vimos lentamente a aproximar-se uma senhora com um burrico. Sem nos dizer nada a minha mãe levantou-se e foi falar com a senhora, voltado uns minutos mais tarde trazendo nas mãos um embrulho. “Olhem o que eu tenho  aqui”, e das folhas de figueira, saíram uns enormes e carnudos figos, a pingar um fiozinho de mel, e que, talvez por estarmos na praia, cobertos de areia e sal, me pareceram os mais doces e deliciosos figos que alguma vez tinha comido.

Todos os anos aguardo a chegada deste fruto cheia de esperança e expectativa, escolho-os e compro-os com o maior dos cuidados, penso na senhora e no burrinho, no meu pai à  beira-mar, mas à excepção de um vez em Londres, nunca voltei a  provar figos tão deliciosos.

Imagino que o defeito não seja apenas dos figos, falta-me o resto da história e do cenário,  e na comparação com um quase perfeito momento da minha infância, qualquer fruto crescido numa estufa e comprado na cidade, fica a perder.

Para tentar dar mais vida aos figos que aqui compro, deixo hoje duas sugestões, simples e deliciosas, para uma entrada ou sobremesa.

1 –  Salada de Figos

Uma combinação doce e salgada, macia e crocante, que apreciamos muito.

Figos frescos, queijo Danish Blue, pecan nuts, presunto e um fio de xarope de ácer.

2- Figos com moscatel, alfazema e fromage blanc.

Ingredientes:

  • 2 colheres de sopa de açúcar
  • 1 dl de Moscatel
  • 4 figos divididos em 2
  • Amêndoas em lascas
  • Alfazema para decorar
  • 2 dl de iogurte grego
  • 2 dl de natas em chantilly
  • 3 colheres de sopa de açúcar de alfazema

Preparação:

Numa frigideira aqueçam o açúcar até quase ao ponto de caramelo. Com cuidado adicionem o moscatel e os figos, deixem ferver e reduzir por alguns minutos.

Para o fromage blac, misturem levemente o chantilly com o iogurte e o açúcar.

Sirvam os figos mornos regados com o seu molho, acompanhados pelo fromage blanc e decorados com lascas de amêndoas e florinhas de alfazema.