Primeiro Domingo do Advento – novidades na Padaria e bolachas de especiarias um pouco mais leves

 Começamos com as novidades. Como já viram, criei uma página no Facebook para a nossa Padaria. Lá encontrarão novidades, sugestões e curiosidades relacionadas com gastronomia e a vida na Suécia que  não cabem necessariamente no espaço deste blogue. Espero que gostem.

E aqui estamos quase no início do melhor mês do ano. Ontem, um aviso de tempestade de grau 3, marcou  a chegada do período do Advento. Até ao Natal, todos os domingos à noite, nos aconchegamos no sofá, acendemos mais uma vela, bebemos glögg e comemos bolachas de gengibre ou outros doces relacionados com a época. (Na categoria Natal, encontram várias receitas de pepparkakor e a sua história.)

A Willow também quis aparecer na fotografia.

Há um ano escrevi já alguns posts sobre este tema. Aqui podem ler sobre o significado das velas que acendemos cada domingo que antecede o Natal. Neste post  encontram a receita de Glögg, o vinho quente com especiarias, típico na  Suécia nesta época. Costumamos comprar esta bebida já preparada porque todos os anos aparecem sabores novos que queremos experimentar. Em Portugal podem comprar glögg no Ikea, ou  optar por prepará-lo em casa.

Ontem em vez das tradicionais bolachas de especiarias/gengibre a que chamamos pepparkakor, lembrei-me de fazer, para acompanhar o glögg, uns biscoitos com os mesmos aromas, mas sem açúcar, usando farinha de centeio, e um pouco mais leves. A textura destas bolachas continua a ser estaladiça, mas sem a riqueza e crocante do açúcar. São ideias para acompanhar um pouco de queijo, servi as nossas com creme de queijo azul e pimenta rosa, ou doce.

Ingredientes: (1 tabuleiro de biscoitos)

  • 0,5 dl de xarope dourado (vejam aqui)
  • 50 gramas de manteiga
  • 0,7 dl de leite
  • 1 colher de chá de canela e gengibre em pó
  • Raspa da casca de uma clementina
  • 220 gramas de farinha de centeio
  • 1 colher de chá rasa de fermento em pó

Preparação:

Na véspera de prepararem as bolachas, aqueçam a manteiga, o xarope, as especiarias, o leite e raspa da casca da clementina, mexam uns minutos em lume brando, retirem do lume e reservem até ao dia seguinte.

Aqueçam o forno a 175ºC.

Numa tigela misturem a farinha com o fermento, adicionem  a mistura que prepararam na véspera e trabalhem levemente a massa, apenas até tudo estar bem ligado. A massa tem de estar compacta o suficiente para poder ser estendida, sem estar demasiado seca, podem por isso precisar de acrescentar um pouco mais de  farinha.

Forrem um tabuleiro com papel vegetal. Estendam a massa até esta ter uma espessura aproximada de 3 mm. Com cortadores de bolachas,  ou uma roda de cortar pizzas, cortem os biscoitos do tamanho e formato que desejarem.

Coloquem os biscoitos no tabuleiro, piquem-nos com um garfo e levem a cozer ao forno durante 10 a 15 minutos, ou até estarem douradinhos e estaladiços.

Salmão com queijo creme e amêndoas, puré de legumes, e um livro cheio de sabores

 Não fosse o medo que me começassem a crescer guelras e barbatanas, era menina para comer salmão a todas as refeições. Nenhum outro peixe deve ser mais versátil, saudável e saboroso preparado de tantas formas diferentes e com tantas combinações de sabores possíveis. Esta receita, linda, deliciosa e low-carb prepara-se em menos de meia hora, podemos pedir mais?

Se ninguém nos vir, é falta de educação lermos durante as refeições?

 A propósito de combinações de sabores, um tema que me interessa bastante, estou a ler The Flavour Thesaurus de Niki Sargent, um guia  cheio de ideias e receitas    tanto  com tradicionais como inesperadas, e  usando diferentes  combinações de sabores. Está organizado em capítulos, agrupando sabores como: Earthy, Marine,Woodland, Brine &Salt, entre muitos outros. As receitas são muito simples e deixam espaço para que possamos dar-lhes também o nosso próprio cunho. Embora não seja um livro que apresente uma abordagem cientifica  sobre o tema,  como o Flavor Perception de  Andrew  Taylor e Deborah  Roberts, parece-me um guia muito útil, simples e original. (E ainda sobre este tema uma questão que vos deixo, será a melhor tradução para “flavour & taste” “gosto & sabor?”)

Ingredientes: (4 pessoas, eu congelo parte da receita em caixas de refeição)

  • 50 gramas de amêndoas grosseiramente picadas
  • Raspa da casca de 1 limão
  • 4 filetes de salmão
  • 100 gramas de queijo creme com ervas 
  • Sal e pimenta

Para o puré

  • 1 couve-flor
  • 150 gramas de espinafres (podem usar congelados, claro)
  • Sal e pimenta
  • Noz-moscada
  • Manteiga

Preparação:

Coloquem a couve-flor a cozer em água com sal.

Aqueçam o forno a 170ºC.

Temperem o peixe com sal e pimenta e coloquem-no num tabuleiro, cubram-no com o queijo creme misturado com as amêndoas e a raspa de limão e levem ao forno. (O tempo de preparação depende da altura dos lombos, o meu esteve no forno 20 minutos e ficou um pouco seco para o meu gosto.)

Entretanto escorram a couve-flor e coloquem-na num processador de alimentos, aproveitem o tacho para cozinhar rapidamente os espinafres.

Temperem a couve-flor com pimenta e noz-moscada, acrescentem sal e manteiga a gosto. Assim que os espinafres estiverem prontos, deitem-nos por cima da couve-flor e processem até que se forme um puré, não precisam de usar leite. (Se não tiverem processador de alimentos podem usar a varinha mágica. Ao contrário do puré de batata, podemos fazer puré de couve-flor desta forma sem que fiquem elástico e horroroso, não se preocupem.)

Panna cotta de Pandan – uma receita para a Maria

No mês em que se celebra o quarto aniversário da Tertúlia de Sabores, a Moira convida-nos a ajudar a Maria, uma jovem voluntária das Nações Unidas em Timor. A despensa e utensílios de cozinha de que a Maria dispõe são reduzidos, e é com eles que devemos também nós preparar em nossas casas receitas que possam auxiliar e talvez inspirar  esta jovem a tornar as suas refeições mais saborosas e diversificadas.

Aqui na Padaria era quase obrigatório participar com uma sobremesa e por isso escolhi preparar Panna  Cotta de Pandan, a mistura entre uma sobremesa que todos conhecemos e um sabor novo e diferente tradicional da zona onde se encontra a Maria.

O pandan, conhecido também por “baunilha asiática”, é um planta muito utilizada na preparação de sobremesas  do Sudeste Asiático. Na Suécia podemos por vezes comprar folhas de pandan em supermercados que importam produtos asiáticos. Para esta sobremesa utilizei gelatina de pandan, feita com agar-agar que trouxe de Londres. (Sim, eu venho das minhas viagens com as malas cheias de comida….) Em Portugal não sei realmente se vão conseguir encontrar, mas penso que este será um sabor de gelatina que a Maria conseguirá comprar  em Timor.  É um pouco difícil descrever o sabor de Pandan. É leve e agradável, fresco, para mim assemelha-se a abacate, outras pessoas dizem que sabe a coco, arroz de jasmim, folhas de banana…

Fiz a minha sobremesa em camadas, dividindo o pacote de gelatina em 3 partes (usei colheres de sopa), mas é um trabalho desnecessário. O agar-agar solidifica à temperatura ambiente, não necessitando de horas de frigorífico, o que pode ser conveniente no caso da Maria. A primeira vez que tentei esta receita segui a indicação da quantidade de líquidos da embalagem de gelatina, e acabei com uma panna cotta que podia ser utilizada como mini-trampolim, por isso aumentei a percentagem de leite e natas  nesta versão da receita.

Na produção desta receita não foram utilizadas copos medidores, balanças,  nem  nenhum dos luxos a que estamos habituados no nosso dia-a-dia.

Atenção que estou a indicar uma receita que usa agar-agar e portanto é feita ao lume. Para outros tipos de gelatina sigam as indicações do pacote.

Utensílios/Equipamento

  • Fogão
  • Copos para servir
  • Um tacho
  • 1 colher
  • 1 faca para abrir o pacote e cortar a fruta

Ingredientes:

  • Gelatina de pandan
  • Natas e leite (uso uma mistura 50/50 dos dois)
  • Fruta para decorar

Preparação:

O pacote de gelatina tem indicada a quantidade de líquido que devem utilizar. Substituam a água por leite e natas. Eu uso mais 50% de líquidos do que a  recomendada. Se por exemplo o pacote indicar 4 dl, utilizem 6 dl, ou a panna cotta acabará por ficar muito dura. (Em especial para a Maria: 1dl = 8 colheres de sopa)

Num tachinho levem ao lume as natas e o leite. Quando começar a ferver deitem sem parar de mexer a gelatina, cozinhem durante 2 minutos. (É contar até 120… ;) ). Retirem do lume e deitem o preparado em taças ou copinhos (imagino que nas chávenas de chá no caso da Maria). Deixem arrefecer, decorem com fruta e sirvam.