Semlor de Chocolate e polkagris /Chocolate & polkagris semlor BBD # 47

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E antes que o mês termine e eu deixe passar mais uma data de publicação dos grupos e desafios que costumo seguir, aqui fica a minha participação no Bread Baking Day #47 que decorre em Fevereiro em casa da Lisa e tem como tema: Pão e Chocolate. (Quando era miúda  havia umas tabletes de chocolate que se chamavam “Coma com pão”, alguém se lembra delas?)

Para este desafio preparei como já vos havia dito, semlor com chocolate e polkagris. Penso que as semlor dispensam já apresentação aqui na Padaria e até em Portugal. A minha tia telefonou ontem a contar-me que as tinha comido no Ikea e estavam duras e secas! Que vergonha senhores do Ikea português, a darem mau nome a este pãozinho tão delicioso…

Os rebuçadinhos que usei, chamam-se polkagris(ar), e sabem a hortelã-pimenta, um dos maiores amigos do chocolate :)

Os polkagrisar  são muito tradicionais na Suécia onde foram inventados em 1859 por uma viúva pobre a tentar reconstruir a sua vida. “polka” é o nome de uma dança, e “gris” significa “porco”, e era também a palavra para “candy” no século XIX. Pensa-se que o nome polka estará ligado à forma como estes doces se fazem, esticando e torcendo o açúcar. Existem polkagrisar de vários formatos, tamanhos e cores, mas os mais tradicionais são os vermelhos e brancos em feitio de bengalinha.

Se esta é a vossa primeira visita à Padaria, podem ler mais sobre semlor aqui e aqui. Convido-vos também a visitar o blogue da Pami que fez a versão Islandesa destes bolos.

A receita de semlor de hoje é a mistura de várias ideias que vi na revista Baka.

Ingredientes (24 semlor)

Para a massa:

  • 2 ½ dl de leite
  • 25 gramas de fermento de padeiro fresco (1/2 pacote de fermento de padeiro seco)
  • 100 gramas de açúcar
  • 1 colher de chá de sal
  • 2 colheres de chá de cardamomo em pó
  • 420 gramas de farinha de trigo
  • 100 gramas de manteiga

Para o ganache:

  • 2 dl de natas
  • 2 colheres de sopa de mel
  • 1 pitada de sal
  • 250 gramas de chocolate amargo

Para o creme:

  • 4 dl de natas
  • Icing sugar (ao vosso gosto)
  • Polkagrisar picados
  • 1 colher de sobremesa de cacau em pó

Preparação:

As semlor:

Dissolvam o fermento num pouco de água tépida.

Aqueçam o leite com o sal e o cardamomo.

Numa tigela grande coloquem a farinha, o açúcar, a mistura do leite e do fermento e a manteiga em cubinhos, amassem bem até a massa de descolar da tigela. Deixem levedar 45 minutos. Dividam a massa em bolinhas e coloquem-nas num tabuleiro de ir ao forno forrado com papel vegetal. Levedem durante 25 minutos. Cozam no forno pré-aquecido a 22ºC, durante 2 a 7 minutos. (Depende do tamanho das semlor, por isso testem uma passados 5 minutos.

Enquanto as semlor arrefecem, preparem o ganache e o creme:

Para o ganache:

Aqueçam as natas com o mel e o sal. Deitem-nas sobre o chocolate picado, misturem até o chocolate derreter.

Para o creme:

Batam as natas em chantilly, adocem a gosto com o icing sugar misturado com o cacau. Acrescentem os polkagrisar.

Cortem as tampinhas das semlor e com uma colher ou garfo, retirem o miolo. Recheiem com o ganache. Decorem com o creme e os polkagrisar, reservem no frigorífico até servir.

BBD was hosted this month by Lisa who invited us to a delicious theme – Bread with chocolate.

I prepared a new version of a very traditional Swedish bun, the semla. I´ve only posted the recipe in Portuguese, but you can use the translation button (cookies on the right bar), or contact me if you  need any help. I have also published other recipes of semlor that you can read here and here.

A Portuguese baker living in Iceland,  published this month a different take on these bun/cakes, made with puff pastry, that you may you really really want to check. (She will translate it for you if you need help)

 A semla (or)  or fastlagsbulle (ar) is a traditional pastry made in various forms in Scandinavia  associated with Lent and especially Shrove Monday or Shrove Tuesday. You can read more about the origin and history of semlor here.

In Sweden the traditional semla is  a cardamom-spiced wheat bun which has its top cut off and insides scooped out, and is then filled with a mix of the scooped-out bread crumbs, milk and almond paste, topped with whipped cream. The cut-off top serves as a lid and is dusted with powdered sugar. (I´ve been told by my Swedish husband that the lid is called  “hat”, and we should use it as a spoon to eat to whipped cream. )Instead of almond paste, I used chocolate ganache and chocolate and polkagris.

Everlasting Whipsylabub to put into glasses (1789) – Parabéns Laranjinha!!

Para festejar o sexto aniversário do Cinco Quartos de Laranja, tinha de publicar uma receita especial, uma receita escolhida com cuidado e carinho, que fosse também um presente para a Laranjinha. Encontrei-a no livro The Complete Confectioner, publicado em Londres em 1789 por Frederick Nutt –  Everlasting Whipsylabub to put into glasses, um creme cuja leveza e aparente simplicidade escondem uma  combinação perfeita de vários aromas e sabores. Aqui está, com os meus mais sinceros desejos de que o sucesso e vida do teu blogue sejam também everlasting.

Durante o século XVIII nenhuma outra profissão ligada à gastronomia, tinha mais prestígio do que a de confeiteiro. Com a melhoria das condições de vida e a maior fartura de ingredientes, mais e mais pessoas começaram a ter acesso a luxos culinários até então reservados às classes mais altas da sociedade.

Apareceram as primeiras confeitarias onde para além das grandes encomendas de por exemplo esculturas de açúcar para jantares e banquetes, se vendia uma grande variedade de doces, pastilhas, compotas, bolos, biscoitos, cremes, e os muito em voga gelado e sylabub do qual já aqui falámos a propósito de Mrs Beeton.

O sylabub era vendido em copinhos de vidro e caso os clientes não o quisessem comer na confeitaria, tinham de pagar também uma taxa para alugar o copo.

Uma das mais afamados Confeitarias era a Pot and Pineapple em Berlkely square que tinha aberto as suas portas em 1760 e era propriedade de Domenico Negri, um confeiteiro italiano de grande fama na altura  e onde Nutt trabalhou antes de publicar o livro de onde retirei a receita.

Este e outros livros da época, estão disponíveis para leitura ou download. As receitas são por vezes um pouco difíceis de seguir, mas oferecem ideias para combinações de sabores fantásticos. Eu não descanso enquanto não deitar mão à secção dos gelados!

A receita original, numa edição de 1807

E a minha versão, como imaginam muito mais pequena,  mais de 3 litros de natas com indica Nutt, até a mim parece demais.

Ingredientes:

  • 3dl de natas
  • Sumo de meia laranja amarga
  • Raspa da casca de um limão
  • 50 gramas de açúcar
  • 1 colher de café de água de flor de laranjeira
  • 0,25 dl de Sherry (sack)
  • 0.25 dl de vinho branco seco (Rhenish)

Preparação: (Atenção porque é bastante complicado!)

Segundo o original: Bater tudo com um batedor de varas durante meia hora, colocar em copos e reservar até servir. É mais saboroso no dia seguinte.

(Eu usei uma batedeira….não sei se é mais saboroso no dia seguinte porque o sylabub na nossa casa não sobrevive tanto tempo.)