Um bolo sem receita e o dia da Nutella

O apaixonado por nutella cá em casa é o viking que não dispensa umas torradas com este creme de avelas ao pequeno-almoco de fim-de-semana.

Penso que este creme não existia em Portugal quando eu era criança, havia qualquer coisa como um creme extra pegajoso para espalhar no pão, e o meu favorito: Tulicreme!

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O que eu adorava Tulicreme,  um pitéu que a minha mãe raríssimas vezes permitia em nossa casa. Eu costumava olhar cheia de inveja para os papo-secos do lanche das minhas colegas de escola cheios deste creme maravilhoso, os meus eram recheados da marmelada do terror feita pela minha mãe.

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Hoje celebra-se o dia da Nutella e imagino que vos pareça até pouco próprio que eu use este post para proclamar a minha paixão por outro creme de barrar. Mas a verdade é que não morro de amor pelo creme de avelas.

Em sobremesas, misturado com outros ingredientes é até bastante agradável, mas por si só, acho-o demasiado doce e enjoativo. (mas admito que há dias em que como uma colher directamente do frasco, quando tem de ser.)

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A receita de hoje é tao simples que nem merece o nome de receita. Veio directamente do fantástico How to cook that, que tem um video com dez super receitas para fans da nutella. Espreitem! O viking adorou, eu comi também uma fatia, teve de ser……

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Brownie mousse de Nutella

Ingredientes para o bolo:

4 ovos

300 g de nutella

Preparação:

Barrem e forrem um tabuleiro. Aquecam o forno a 180C.

Batam os ovos durante 8 minutos, misturem a nutella, deitem no tabuleiro e levem ao forno. O meu cozeu apenas por 20 minutos, mas depende do tamanho do vosso tabuleiro. Como sabem queremos um bolo ainda meio cozido.

Depois de frio, cubram o bolo com mais nutella, na foram de mousse.

Ingredientes:

2 dl de chantilly

100 g de nutella

Preparacao:

Muito complicado, é bater os ingredientes até terem a consistência de creme de manteiga.

 

 

Um desafio em casa da Lia, e a Rainha das sobremesas

Adoro desafios! Testar novas ideias e receitas, descobrir sabores e experimentar novas técnicas. No seu novo Sweet World a Lia e a Susana vão cada mês desafiar-nos a sair um pouco da nossa zona de conforto e fazer algo novo nas nossas cozinhas.

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Para esta primeira edição a Lia escolheu a clássica sobremesa inglesa Rainha das sobremesas.

A versão que eu fiz é a da Senhora Dona Mary Berry, por quem tenho uma enorme admiração.

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(Em Portugal podem ver o Great British bake off?)

A receita tem vários passos mas não é complicada. Eu admito que nunca a tinha testado por isso segui a da Mrs Berry.

É uma sobremesa que já tinha visto muitas vezes na televisão, mas por me lembrar uma receita que a minha farmor costumava fazer quando eu era miúda, nunca senti grande vontade de a reproduzir.

E foi graças à nossa Lia que finalmente a testei, um sucesso cá por casa, uma daquelas sobremesas que comemos ainda meio quentes, aconchegados no sofá enquanto vemos um filme,

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A Rainha das Sobremesas/Queen of Puddings

 

Ingredientes:SW FF3

Para a base

600ml de leite

25g de manteiga para barrar a forma

raspa de um limão

50g de açúcar

3 gemas de ovo

75g de pão ralado/ou migalhas de bolo

Para o merengue

175g de açúcar

3 claras de ovo

 

200 g de compota de framboesas

 

 

Preparação:

Aqueçam o forno a 170°C. Barrem um forma de pyrex ou que possa ir ao forno com manteiga. Polvilhem com o pão ralado ou migalhas de bolo

Preparem a base:

Aqueçam o leite, a manteiga, a raspa de limão e 50 g de açúcar mexendo até o açúcar estar dissolvido.

Misturem o preparado com as gemas levemente batidas, e deitem a mistura sobre a tigela com a manteiga e o  pão. Deixem descansar 15 minutos para ensopar.

Levem ao forno em banho Maria durante cerca de 30 minutos.

Retirem do forno e deixem arrefecer um pouco.

Baixem a temperatura do forno para 150°C.

Façam o merengue batendo as calaras e juntando o açúcar aos poucos batendo sempre até obterem picos firmes.

Cubram a vossa custard com o doce de framboesas e depois com o merengue.

Levem ao forno até o merengue estar douradinho e estaladiço.

Alergias, intolerâncias e frescura generalizada. E o bolo com o qual sonho há anos

Corre a história de que Gordon Ramsay serviu caldo de galinha a um vegetariano e ainda se riu do facto que entretanto esclareceu tratar-se apenas de uma brincadeira. Eu duvido.

Nas cozinhas profissionais  todos os clientes com dietas diferentes do bife grelhado banhado em manteiga são olhados como  extraterrestres.

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Desde que assentei arraiais nos restaurantes que tenho sido eu a tratar das refeições dos chamados “clientes especiais”. Vegetarianos, vegans, alergias, intolerâncias, e infelizmente e acima de tudo, frescuras.

Acho que sou a única que aceita esta situação como um desafio e tem algum cuidado no que servimos por exemplo aos nossos clientes vegans.

Ninguém escolhe ter determinada alergia, e infelizmente já passamos por situações que podiam ter terminado mal, como por exemplo um cliente alérgico à proteína do leite, que foi identificado pelo empregado de mesa como tendo intolerância à lactose, vegans que são confundidos com vegetarianos….

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A mim não me aborrecem as escolhas que todos temos o direito de fazer no que diz respeito à nossa alimentação Aborrece-me que pessoas que sabem de ante mão que vão comer algo que não existe no menu, não deixem um pequeno aviso quando marcam mesa.

Aborrecem-me os intolerantes à lactose que nos fazem preparar um molho só para eles porque  o do menu contem manteiga, que atacam uma sobremesa cheia de natas e leite sem pestanejar. (isto depois de lhes terem sido oferecidas as opções sem lactose).

Nao há serviço nos restaurantes em que não sirvamos uma mão cheia de clientes com alguma alergia.

Era esta a situação quando eramos miúdos? Havia na altura pessoas que “nao se davam com o leite”, que “não faziam bem a digestão de…”

Hoje tudo são alergias, tudo são intolerâncias, chegamos receber listas de ingredientes e produtos que não podemos usar para esta ou aquela pessoa, e nisto meus amigos, as mulheres são muito piores do que os homens.

Nenhum restaurante  pode fazer um molho bechamel decente, e temos de optar por engrossar todos os molhos à custa de farinha  maizena ou de batata.DSC_0543

 

É claro que sofrer de uma séria alergia a “nuts” ou marisco é grave, e como profissionais nunca tomamos estas situações de ânimo leve, mas há também muita frescura, querer ser-se especial e infelizmente estar na moda.

Uma das meninas do serviço tem uma lista de alergias maior do que o menu, tudo desde especiarias a pimentos e claro intolerância à lactose. Todos os dias temos de lhe preparar uma refeição especial, excepto se for o meu curry, (nao digo mais nada), e os seus dois cappuccinos diários.

Deixem-me só antes de terminar este desabafo, dizer-vos que de entre todos os clientes com opções diferentes, e não estou aqui a referir alergias, nenhuns são tao easy going como os vegans.

Eu venho muitas vezes à sala de jantar falar com eles directamente para adaptar o que vou cozinhar aos seus gostos e a resposta que mais oiço é “Podes fazer qualquer coisa desde que seja vegan, não te preocupes.”

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O bolo de hoje não é vegan, mas é saboroso e ando há anos a sonhar com ele.

É  o bolo de clementinas que vi a Nigella fazer num programa há imensos anos. O tema era ai  e tal, fazemos o bolo de noite para comer no outro dia, e eu lembro-me de pensar, então esta rapariga com duas crianças a dormir esta a usar o processador de alimentos durante a noite?!

Fácil, fácil fácil e maravilhoso como só a Nigella sabe fazer. Fofinho e leve, pouco doce e muito aromático. Os meus clientes com alergia ao glúten já têm a sobremesa escolhida.

 

Bolo de clementinas e amêndoa da Nigella – sem glúten e sem lactose

 

Ingredientes:

  • 375 g de clementinas com casca
  • 6 ovos grandes
  • 225 g de açúcar (usei apenas 200)
  • 250 g de farinha de amêndoas
  • 1 colher de chá de fermento em pó (nao usei e nao fez diferenca)

 

Preparação:

Na véspera ou 3 horas antes de preparar o bolo, cozam as clementinas inteiras  durante 2 horas, escorram a água, deixem arrefecer.

Aqueçam o forno a 170°C (190°C segundo a Nigella).

Barrem uma forma com óleo ou manteiga ou margarina.

Num processador de alimentos batam as clementinas inteiras, casca e tudo, acrescentem os restantes ingredientes e voltem a bater.

Deitem o preparado na forma e levem ao forno aproximadamente 40 minutos ou até o centro do bolo estar cozido.

Deixem arrefecer, desenformem e sirvam.