Rochedos de Chocolate e Black Balsam

Vi há muitos anos no Livro de Bolos e Bolinhos da margarina vaqueiro, pela primeira vez a receita de Rochedos de Chocolate, chocolate, corn flakes e manteiga. A receita é simples mas o conceito e texturas pareceram-me tão saborosos e tentadores, que partindo da ideia base, tenho ao longo dos anos, vindo a experimentar várias combinações para a enriquecer.

Hoje partilho convosco uma das minhas favoritas, uma versão só para adultos, rica e muito aromática. Um prazer que se prova em casa dentada, a mistura das passas a pingar de Black Balsam, as texturas macias em contraste com o crocante das amêndoas e dos cereais, tudo envolvido num delicioso chocolate e no leve e final aroma a canela. A receita faz-se em  minutos, e se resistirem a devorar o seu resultado, estes rochedos são uma deliciosa e requintada opção para quem gosta de oferecer presentes caseiros.

Black Balsam é uma bebida feita  com base em vodka, e uma enorme variedade de bagas, plantas, ervas e raízes, tradicional na Letónia. Caso não encontrem esta bebida podem substitui-la por outra a vosso gosto, brandy ou até um pouco de vinho do Porto, parecem-me boas opções.

Ingredientes: (30 rochedos, 28… já comemos 2 ….26… talvez seja melhor fazer mais)

  • 250 gramas de chocolate escuro de boa qualidade
  • 40 gramas de manteiga
  • 50 gramas de corn flakes
  • 75 gramas de amêndoas lascadas
  • 0.5 dl de Black Balsam
  • 3 colheres de sopa de passas
  • 1 colher de café de canela moída

Preparação:

Coloquem as passas de molho no Black Balsam.

Derretam o chocolate no micro-ondas. Usem uma baixa potência e vão verificando a cada 30 segundos.

Misturem o chocolate com a manteiga, as passas e o Black Balsam, e a canela. Quando tudo estiver bem incorporado juntem as amêndoas e os corn flakes.

Com a ajuda de duas colheres de café, deitem o preparado em forminhas de papel. Deixem solidificar e guardem longe do vosso alcance  o quanto antes.

Bombons com açafrão e pimenta – Um presente para a minha tia

A minha tia faz anos e como não posso estar junto dela neste dia, envio-lhe daqui uma receita que preparei a pensar nela.

Já vos falei várias vezes da minha tia, a boleira-mor da minha família, criadora dos mais fantásticos bolos de aniversário para mim e para os meus irmãos. Bolos feitos sem formas especiais, nem massa de açúcar ou pasta para criar bonequinhos . Bolos como o meu adorado Vickie, que eu nunca cheguei a provar, e a Branca de Neve e os Sete Anões, com as figurinhas recortadas em massa de biscoito e delicadamente vestidas a creme de manteiga e glacé.

Mas mais do que fada do lar, a minha tia é uma super tia, não, é A Super Tia, não, a minha tia é mais do que tia. Ela faz o papel de mãe emprestada, irmã mais velha, confidente e voz do bom senso, treinador e cheerleader. No que nos diz respeito é imparável e nada a impede de nos defender e apoiar, sejam quais forem as circunstâncias.

Não me lembro de ouvir a minha tia dizer que algo feito por nós estava “mais ou menos”, “assim-assim”, “escapatório” ou “suficiente”, para ela todos os nossos esforços, mesmo os que acabam em inegáveis fracassos, são vitórias  dignas de celebração. E isto não se aplica apenas a escolhas e mudanças importantes na nossa vida.

Na última vez que estivemos em Portugal, combinei com a minha tia que faria um caril de frango como costumo fazer na minha casa. Fomos às compras, e embora não tivéssemos encontrado os mesmos produtos que uso aqui, abasteci-me de pasta de caril, arroz basmati e pão naan.

Distraída com a conversa, não provei  o molho até à altura de servir, e foi com horror que me apercebi de que a pasta de caril era mil vezes mais forte do que a  que uso, e que em vez de caril, tinha criado uma arma termonuclear. Perante o meu óbvio fracasso, a minha tia não desanimou, e embora imagino que depois de provar a minha “obra de arte”, lhe fosse difícil articular uma palavra,  entre  “está muito bom” e “ eu gosto muito de comida picante”, lá marchou orgulhosamente  com a travessa da minha vergonha para a casa de jantar, avisando, como quem não quer a coisa: “Este caril que a Ana fez é uma delicia,  está um bocadinho picante, mas é muito bom.”

Esta almoço serviu de inspiração para os bombons que vos apresento e que combinam o chocolate branco com o magnífico sabor  do açafrão e um levíssimo toque de pimenta-caiena. Aproveito também este post para participar no passatempo Chocolate e Picante: Um desafio de receitas com histórias dentro, promovido pela Suzana dos Gourmets {amadores} em colaboração com a editora Casa de Letras.

Para fazer os bombons usei formas próprias para chocolate, mas as pequenas formas de silicone, que usamos para fazer gelo, também servem. Se puderem e souberem é melhor que temperem o chocolate antes de o deitar nas forminhas, vão conseguir bombons mais brilhantes e estaladiços.

Ingredientes: (12 bombons, dependendo do tamanho das formas.)

  • 200 gramas de chocolate branco
  • 0,5 grama de açafrão
  •  1 pêra pequena
  • 40 gramas de açúcar
  • 1 dl de água (aproximadamente)
  • 1 folha de gelatina
  • 1 pitada de pimenta-caiena

Preparação:

Temperem ou  se preferirem, derretam o chocolate. Encham com ele  os moldes, certifiquem-se de que não há bolhas de ar, batendo com o molde na bancada um par de vezes. Virem as formas e deixem escorrer o excesso de chocolate. Limpem o chocolate que tenha saído de dentro das formas, e coloquem-nas viradas para baixo, num tabuleiro forrado com papel vegetal.

Para o recheio: Descasquem, limpem e cortem a pêra em pedacinhos pequenos. Levem a lume brando   todos os  ingredientes excepto a gelatina, vão mexendo até que a pêra esteja bem cozida.

Retirem do lume, acrescentem a folha de gelatina previamente amolecida em água fria, misturem bem e coloquem no frigorífico para solidificar.

Quando os moldes de chocolate estiverem completamente solidificados, encham-nos, não demasiado, com o recheio que deve estar frio. Fechem cada bombom com uma camada de chocolate derretido. Coloquem no frigorífico até o chocolate solidificar, desenformem com cuidado e sirvam.

Honeycomb – receita do Masterchef Australia e alternativas

 Sei que alguns de vocês também viram o Chef Gary Mehigan do Masterchef Australia transformar caramelo a ferver num rochedo crocante de caramelo, por isso aqui fica a receita com alternativas, caso não encontrem os ingredientes.

 

O efeito deste doce a que se chama Honeycomb “favo de mel”, consegue-se através da mistura de  bicarbonato de sódio com  açúcar a ferver. O dióxido de carbono que se solta desta combinação, fica preso na massa viscosa de açúcar   dando ao honeycomb os seu aspecto característico.

Gelado de baunilha com honeycomb e mirtilos

Como sempre deixo um alerta para os mais novatos no que diz respeito a trabalhar com açúcar. Uma queimadura de caramelo é bastante dolorosa, tenham cuidado!

  • Preparem todos os ingredientes antes de começarem a receita.
  • Crianças e animais fora da cozinha
  • Tigela grande com água gelada na bancada, caso haja um acidente.
  • Em vez do sistema “olhometro” para ver quando o açúcar está no ponto, podem usar um termómetro para açúcar. Para quem tem pouco prática é uma excelente alternativa pois evita que o açúcar passe do ponto e se queime. Para esta receita devem ferver o açúcar até que este atinja uma temperatura de 148 ºC. (Aqui podem ver e comprar um termómetro, em Portugal não sei onde se vendem. Atenção que este não é um termómetro de cozinha vulgar, os termómetros para verificar a temperatura da carne não servem para açúcar!)

A Receita do Masterchef Australia usa glucose líquida. Aqui encontramos este produto na farmácia e em alguns supermercados especialmente durante a época de Natal. A glucose líquda é uma espécie de xarope de açúcar que ajuda a controlar a cristalização do mesmo em preparados em que este é fervido. Como não sei se em Portugal se encontra facilmente à venda, indico outra receita em que a glucose líquida não é utilizada.

 

Honeycomb – Masterchef Australia

Ingredientes:

  • 365 gramas de açúcar
  • 140 gramas de glucose líquda
  • 110 ml de água
  • 1 colher de chá de bicarbonato de sódio

Preparação:

Forrem uma tigela grande com papel vegetal untado com óleo. (Eu nunca uso o papel e o honeycomb descola-se bem.)

Coloquem o açúcar a glucose e  a água numa panela, levem a lume forte até o açúcar estar dissolvido.

 Com um pincel molhado pincelem as paredes interiores da panela para evitar que o açúcar forme cristais. Não mexam o açúcar.

Quando o açúcar estiver completamente dissolvido, esperem até verem que vai formando bolhas cada vez mais pequenas e começar a ganhar um tom dourado. (temperatura 148ºC)

 Nesta altura adicionem o bicarbonato de sódio, mexam  rapidamente  e deitem a mistura na tigela previamente preparada. Deixem arrefecer por 45 minutos.

Honeycomb –  receita alternativa

Nesta receita, a que usei hoje, em vez de glucose líquida usa-se xarope dourado, melaço  ou até mel.

O modo de preparação é o mesmo do que a receita do Masterchef Australia.

Ingredientes:

2 colheres de sopa de água

2 colheres de sopa de xarope dourado, melaço ou mel

200 gramas de açúcar

1 ½ colher de chá de bicarbonato de sódio.