400 posts e a perfeita receita para festejar

Ena 400 posts!

(bem sao mais, apaguei uns quantos durante estes seis anos.)

E bem sei que para a maioria dos bloggers 400 não é um grande número, mas tendo em conta todo o tempo em que a padaria esteve fechada e o tamanho de cada post que escrevo, já tenho aqui material para um novo Guerra e Paz.

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Hoje foi o meu dia de folga, mas como sabem tive de ir ontem  Domingo ao restaurante. Ainda como muitos telefonemas do trabalho, estou a passar um excelente dia, em casa no quentinho, forno ligado, a testar novas receitas e uma das sobremesas do dia dos namorados.

Se não trabalhasse, viveria feliz assim? Na minha casinha com os meninos à espera do viking?

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Já estamos em Fevereiro, e eu ainda com as semanas que tenho tido no restaurante consigo ir cozinhando em casa e actualizando a Padaria. Se chegarmos assim a Abril está o ano salvo. :)

Esta semana tenho uma reunião com o HC e assim que acertámos os detalhes volto para vos contar as grandes novidades no meu trabalho.

Hoje para festejar os meus 400 posts. As 400 vezes que vocês aqui vieram ler os meus desabafos e disparates, como não podia deixar de ser na nossa padaria, uma receita de pão.

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Para esta receita usei o meu muito velhinho starter, a quem chamo Brites.

Podem encontrar aqui na Padaria a forma de se iniciar um starter/isco para pão feito sem fermento aqui e aqui. Há também imensas receitas deste tipo de pão.

Se nunca tentaram fazer este tipo de massa talvez seja mais fácil seguir esta receita de isco, é a Brites que ainda tenho no frigorífico. Nunca mais vão  querer outro pão. Se precisarem de ajudem ou tiverem dúvidas, basta que me contactem. :)

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Para hoje Sourdough com cenouras e cominhos. (sei que esta especiaria não agrada a muitos, mas combina na perfeição com a cenoura, experimentem.)

Pão sourdough com cenouras e cominhos 

Ingredientes:

  • 150 g de starter bem alimentado à temperatura ambiente
  • 300 g de puré de cenouras
  • 1 colher de sobremesa de sal
  • 1 colher de café de cominhos
  • farinha qb

 

Método:

Na véspera tirem o vosso starter do frigorífico e alimentem-no uma ou duas vezes.

Cozam 5 cenouras em água e sal e passem-nas com a varinha mágica como se fosse uma sopa.

Quando o vosso starter estiver pronto para trabalhar, misturem-no com o puré de cenouras, sal, cominhos e farinha suficiente para poderem amassar.

Deixem levedar perto de um radiador se estiver muito frio, ou se preferirem levedem a massa por duas horas e coloquem-no no frigorifico até ao dia seguinte.

Coloquem a massa num cesto para levedar o pão, ou num qualquer cesto ou tigela coberta com um pano. Deixem levedar mais duas horas.

Aquecam  o forno a 200C.

Virem a massa   num tabuleiro do forno quente ou usem uma pedra de pizza.

Coloquem o pão no forno e atirem também com meio copo de água para dentro do forno para criar vapor e tornar o pão mais estaladico.

Passados 15 minutos, baixem a temperatura para 160C e cozam o pao durante mais 30 minutos ou até estar cozido. (94 a 97C, ou quando soar “oco” se lhe dermos umas palmadinha na parte de baixo.)

Deixem o pao  arrefecer antes de o fatiarem, é difícil bem sei, mas vale a pena esperar.

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O desbalçando de sábado e uma das entradas que servimos

Antes de começar, relembro que estão a decorrer os passatempos convidei para jantar e vida de blogger, vejam as datas limite na barra à direita.
Poderá haver um sábado mais complicado do que o jantar dos maçons de que vos falei há umas semanas?
Sim. Mais difícil do que um banquete de três pratos para 150 pessoas no edifício dos maçons, é um buffet para 80 directores do grupo scandic que em vez de fazerem a sua festa num hotel com uma cozinha em condições, decidiram alugar a sala de festas da loja maçónica e obrigar-nos a trabalhar numa cozinha minúscula e sem condições.

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Raramente me senti tão exausta depois de um serviço como sábado passado.
Nunca a enorme falta de organização do meu HC esteve tão patente, nunca os chefs se sentiram tão perdidos. Como esta noite não acabou com uma revolta e gente esfaqueada é ainda um mistério para mim.
O menu do buffet não tinha fim, canapés, aperitivos, buffet frio, buffet quente, sobremesas, pães feitos por nós, tábuas de queijos, e mais comida para ser servida durante a noite para ajudar a ensopar as copiosas quantidades de álcool que consumiram durante horas.
Uma refeição destas demora uma semana a preparar, sei eu, sabem bem todos vocês que quando organizamos uma festa, fazemos um plano de ataque e vamos começando a cozinhar com antecedência e até a congelar algumas coisas.

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O HC aparentemente não sabe, ou não quer saber porque no fim, e quando a porcaria acerta na ventoinha, basta telefonar e corremos todos para o ajudar.
O menu foi escolhido para impressionar os directores dos outros hotéis e os patrões dos nossos patrões.
E só para terem um ideia posso dizer-vos que foram servidos pratos como leitão recheado com pato, molejas panadas em porco crocante, pommes royal, pithiviers de galinha, pommes parisiennes, cabrito assado, frango confitado, mousse de salmão….

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Para poder preparar e servir tanta comida em tão pouco tempo trabalhámos em três cozinhas e para além da nossa brigada habitual que estava toda nos restaurantes, foi chamado um chef extra.
E já estão a ver o que é tentar organizar o trabalho a decorrer em três cozinhas ao mesmo tempo, sem um plano definido e com metade dos ingredientes no Kramer e metade no Stortorget.
Passámos o dia e a noite a correr entre os hotéis e escada acima, escada abaixo nos maçons. Toda a operação guiado via telemóvel pelo HC que tinha num papelinho uma lista de tarefas a distribuir.
Algures en route entre o triângulo das Bermudas Kramer/stortorget/ maçons, o papelinho perdeu-se, o que só veio ajudar a já fantástica situação em que estávamos a trabalhar.

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Tempo para comer ou fazer uma pequena pausa nesta maratona também não houve, alimentámo-nos de café, red bull e adrenalina.
O ponto mais alto da loucura ocorreu quando eu tive mesmo de ir à casa de banho e o HC me telefonou pela centésima vez.
HC – Onde estás? Onde estás? O que estás a fazer?
Eu – Estou na casa de banho a fazer **i**i , dás-me licença?
Mas ele não me deu licença, isto até parece mentira, e em vez de se desculpar e telefonar mais tarde, continuou….continuou! comigo sentada na casa de banho!!!
HC – Ana, mas estás no Storgorget? Encontraste os dois quilos de chocolate, já foste buscar os ananases? Tens a mousse de salmão pronta? Precisamos de 3 pratos vegetarianos, faz qualquer coisa, preciso de tudo em vinte minutos no buffet.
Tanto os outros chefs como eu estamos estourados, os meus pulsos e tornozelos triplicaram de volume, o Nickas mal se pode mexer porque tem um problema nas costas e passou a noite a carregar tabuleiros e caixas de comida escada acima. Na próxima reunião vamos ter uma conversa séria com o HC, basta de loucura.

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A receita de hoje é muito simples, e a avaliar pela quantidade de pão que tivemos de fritar, já durante o serviço, foi a entrada favorita dos nossos convidados de sábado. (E provavelmente o prato mais simples de todo o buffet)
O pão embora seja frito, fica sequinho e crocante, é uma delicia. No sábado servimos estes rolinhos de pão apenas com um dip de ervas, mas ontem ainda tive força de fazer também um pouco de tapenade para o viking.
Aproveito antes da receita para vos perguntar acerca de molejas. Esta peça de carne é comum em Portugal? Pode comprar-se no talho? Aqui só se encontra em restaurantes, mas se tiverem curiosidade em aprender como limpar e preparar as molejas, peço ao HC que me deixe trazer umas para casa para vos mostrar.
Aqui fica a receita do pão.

Sticks de pão de alecrim com dip de ervas e tapenade

Vejam a minha receita de tapenade aqui.

Ingredientes:
Pão:
25 g de fermento de padeiro fresco
1 colher de chá de sal
0,6 dl de água
2 colheres de sopa de azeite
1 colher de sopa de alecrim fresco picado finamente
Farinha de trigo para pão q.b.

Preparação:
Dissolvam o fermento num puco de água. Acrescentem a restante água, o sal, o azeite e as ervas.
Misturem tudo e aos poucos vão adicionando a farinha e amassando até obterem a consistên-cia de uma massa de pão.
Deixem a massa fermentar até duplicar de volume.
Antes de servir rolem a massa em rolinhos e fritem numa fritadeira ou tacho com bastante óleo, demora menos de 1 minuto! Escorram bem, salpiquem com sal e sirvam.

Entretanto preparem a tapenade e o dip

Dip de ervas
Ingredientes:
Ervas frescas esquecidas no frigorífico ou congeladas
Óleo alimentar de sabor neutro ou azeite de boa qualidade
Queijo parmesão ralado
Raspa de casca de limão
Alho ralado
Sal e pimenta

Preparação:
Ui, agora é que vem a parte complicada, preparem-se!
Misturem tudo num copo misturador ou com a varinha mágica, reservem.

Gugelhupf, bundtmania e a permanente insatisfação

Se há características que definem um bom chef profissional é a sua auto crítica, exigência e vontade constante de aprender mais.
Não sei se por loucura, cansaço generalizado ou apenas por termos dificuldade em distinguir entre emprego e interesse pessoal, estamos constantemente a falar de comida.
Um chef agarrado ao telemóvel está certamente a ver vídeos de um qualquer restaurante no youtube. As nossas estantes estão repletas de livros, e sonhamos com podermos ter férias para irmos como estagiários trabalhar de borla para outros restaurantes.
Acordamos e adormecemos a sonhar com comida, com pratos novos, com o frigorífico que tem de ser limpo, com as lista de compras. DSC_02292
Esta é uma profissão complicada como através dos meus posts aqui e no facebook podem acompanhar. São muitas horas de pé, muito calor, não há pausas, é um trabalho pesado e cheio de stress, turnos de 17 horas, semanas sem ver a família, e portanto só resiste quem como eu é tão absolutamente obcecado que não pode estar longe da cozinha por muito tempo.

No mundo dos cozinheiros amadores é com muito prazer que sigo o Lemon &Vanilla da Lia que de forma séria e rigorosa partilha connosco as receitas que testa acompanhadas de belíssimas fotografias. É animador ver que ainda existem blogues que respeitam os seus leitores com o mesmo profissionalismo de um chef perante o serviço: Servir bem, proporcionar momentos de prazer a quem nos lê ou come a comida preparada por nós.

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É em casa da Lia que decorre esta edição do budntmania que tem como tema “frutos secos”.
Para a minha primeira participação decidi investigar um pouco mais acerca deste tipo de bolos e descobri que têm origem no europeu Gugelhupf.
Este bolo particularmente comum entre as comunidades judaicas da Alemanha, Áustria e Polónia é tradicionalmente feito com uma leve massa lêveda, salpicado de amêndoas e passas humedecidas em kirsch.
Descobri também que a forma de bolo que normalmente associamos aos bundt é na verdade a forma tradicional dos gugelhupf.
Como vos disse a massa tradicional deste bolo é lêveda, mas incrivelmente fácil de fazer, e o resultado é um bolo enorme e leve, mais húmido e saboroso do que os habituais bolos feitos com este tipo de massas.
A receito que vos apresento embora respeite os ingredientes e aspecto do gugelhupf é a minha versão mais simples e prática de preparar este bolo.

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Ingredientes:
• 50 gramas de passas (devia ter usado um pouco mais)
• Raspa da casca de uma laranja
• ½ dl de kirsch
• 100 g de amêndoas grosseiramente picadas
• 1 pacote de fermento de padeiro seco (12 gramas)
• 2 dl de leite
• 200 g de manteiga
• 4 ovos
• 150 g de açúcar
• 500 g de farinha

Preparação:
Eu uso uma batedeira fixa, e esta é mesmo a forma mais fácil de preparar este bolo. Mas nada vos impede de o misturar à mão ou com uma batedeira normal com o gancho.

Dissolvam o fermento num pouco de água tépida.
Na tigela da batedeira misturem o fermento com o leite morno e a manteiga derretida e arrefecida, a raspa da laranja, e o açúcar. Juntem os ovos.
Finamente acrescentem a farinha amassando bem.
Desliguem a máquina e deixem a massa levedar por 1 hora.
Ao mesmo tempo ensopem as passas e as amêndoas no licor,
Aqueçam o forno a 180°C. Barrem muito bem a vossa forma com manteiga e polvilhem com farinha.
Misturem as passas, as amêndoas e o licor na massa e voltem a amassar. Deitem o preparado na forma e deixem levedar por 30 minutos.
Cozam o bolo no formo por aproximadamente 45 minutos, ou até o bolo estar cozido por den-tro e douradinho por fora. Deixem o bolo arrefecer antes de o desenformar.