A nossa visita ao Dinner by Heston Blumenthal – Parte I

Em Novembro consegui finalmente ter uns dias de folga. Ou melhor, cheguei ao trabalho e disse ao meu head-chef “Comprei bilhetes para um concerto em Liverpool daqui a um mês, preciso de dias de folga.” Ele lá teve de reorganizar os horários mas no fundo sabe bem que eu não tinha tido folgas há mais de um ano, férias não sei o que é. (Nem quero saber.)
Da visita a Liverpool escreverei mais tarde um post, hoje quero partilhar convosco o ponto alto dos dias que passámos em Londres antes da viagem para Liverpool.
Há anos que eu sonhava comer neste restaurante, e assim que confirmámos o hotel e o avião, enviei um e mail para marcar mesa. O meu único pedido foi uma mesa perto da cozinha.
Dinner by Heston Blumenthal é o restaurante do chefe em Londres e embora ele não seja o head-chef são dele os pratos e todo os estilo e imaginação tão típicos do Heston. (Perdoem-me o “do” em vez de “de”, os meus leitores mais antigos sabem que o Heston é o meu chef favorito.
Este restaurante serve comida inspirada em pratos antigos britânicos e tem já duas estrelas Michelin.
Eu decidi escrever este post porque sei que muitos dos meus leitores também admiram este chef, e gostariam de provar a sua comida e por isso vou ser detalhada e no final falar do preço da refeição. Espero que compreendam e me desculpem o mau gosto de falar de dinheiro, mas creio que é uma informação importante caso queiram visitar o restaurante. As fotografias não são as melhores mas só tinha o telefone comigo.
É um restaurante especial, primeiro pela comida que serve, segundo porque embora não seja um sítio onde se vá almoçar todos os dias, tem um estilo muito casual e ao contrário da maioria dos restaurantes com estrelas ninguém está a olhar para ti enquanto comes ou te julga imediatamente pela maneira como estás vestida.

Mandarian Oriental - Imagem do site do Hotel

Mandarian Oriental – Imagem do site do Hotel

Chegámos à hora marcada ao hotel onde fica o restaurante. Tínhamos passado no Fortnum e Mason e vínhamos carregados de sacos com chás, compotas e biscoitos. Eu, talvez por ser portuguesa e por ter vivido parte da minha vida a ser julgada pela minha aparência, já estava preparada para que olhassem de lado para as nossas doc martens ou o nossa monocromática indumentária, mas estava enganada.
Os porteiros indicaram-nos o restaurante, e nós lá fomos hotel fora, eu a tremer de excitação como na entrada de um concerto.

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Fotografia do jornal Guardian

Ainda fora do restaurante uma menina recebeu-nos e pergunto se queríamos usar o bengaleiro para os sacos ou casacos.
Sacos despachados fomos acompanhados pelo maître d´ que nos levou à mesa, mesmo em frente à cozinha, e perguntou quem se queria sentar a ver televisão. (As paredes da cozinha são de vidro.) O viking disse que eu era cozinheira e que mal ia olhar para ele durante o almoço, sentámo-nos.)

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Fotografia do jornal Guardian

O Jonathan que foi o empregado principal trouxe os menus, perguntou se queríamos água, se queríamos comer do menu  a la carte ou do menu fixo. Nós escolhemos claro o a la carte, porque havia pratos que eu gostava tinha de provar.

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Com a água veio também uma manteiga acidulada e um pão delicioso.

 

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Perguntou-nos que precisávamos de ajuda com o menu, o que de facto não era necessário porque eu tenho todos os livros do Heston e sabia o meu de cor e salteado.
Perguntou-nos também se queríamos beber vinho ou outra bebida. (E refiro isto porque havia pessoas a beber coca-cola, pareceu-me, na mesa ao lado, o que julgo ser normal neste restaurante.) Eu, como um dia não são dias, pedi a carta de vinhos.)
Veio o sommelier com a enorme carta de vinhos. De novo nos perguntaram se precisávamos de ajuda, mas eu fui direitinha aos vinhos portugueses, e escolhemos um vinho alentejano.
O serviço neste restaurante é impecável, ao ponto de nos perguntarem se podiam decantar o vinho, se queríamos as duas entradas e os dois pratos principais servidos ao mesmo tempo ou um de cada vez para partilharmos.
E chegam as entradas. Se conhecem Heston Blumenthal ou se viram a segunda temporada do Masterchef Austrália conhecem certamente este prato: Parfait de fígado de galinha e foie gras envolto num levíssimo gel de mandarina, acompanhado de pão grelhado , inspirado numa receita de 1500. – Meat Fruit

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A segunda entrada foi Risotto de açafrão com pedacinhos de rabo de vitelo e vinho tinto, baseado numa receita de 1390. – Rice and Flesh

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Não vos posso dizer de qual entrada gostei mais, se do parfait tão leve e macio acompanhado do pão ainda quentinho com um bocadinho e manteiga e tão estaladiço, se do risotto cremoso e com o toque inconfundível do açafrão.
O Jonathan perguntou se queríamos mais pão, como se fosse necessário perguntar. Caros leito-res eu sou como sabem padeira amadora, quem me dera saber fazer pão assim. (A receita é do restaurante mas feita numa padaria por causa dos fornos especiais para cozer pão que o restau-rante não tem.)
Terminada a entrada, veio uma menina limpar a mesa e o Jonathan e o sommelier foram pas-sando para nos perguntar se estávamos a gostar, de onde vínhamos, partilhar um pouco da história dos pratos, da decoração do restaurante. Ficámos a saber que o chef de pastelaria é sueco e trabalhou com Mathias Dahlgren, e que um dos sommeliers é português.
Esta simpatia e interesse pelos clientes, faz parte do serviço do restaurante, e não vos conto isto para me tentar fazer especial, mas porque mostra bem o esforço da equipa em agradar e servir todos como se fossem os únicos clientes sentados à mesa.
Ok, a parte que vem a seguir foi um bocadinho mais especial para mim. Eu já tinha massacrado o Jonathan com todo o tipo de perguntas e com os métodos e tal, o meu viking a beber vinho, eu a discutir a temperatura do sous vide.
Não sei bem como, perguntei onde estavam os ananases. Isto vai parecer-vos estranho, mas eu sabia que na cozinha havia uma máquina especial, desenhada só para este espaço, onde estão pendurados ananases a serem cozinhados numa espécie de grelhador vertical.
”Oh you can´t see them from here, but if you want to follow me to the kitchen, I can show you where they are.”
Eu, com a possibilidade de entrar na cozinha saltei da cadeira e lá fui de telefone na mão. Cumprimentei os chefes e perguntei se podia tirar fotografias.

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A cozinha – pass

 

Eu sabia que algumas pessoas são convidadas a visitar a cozinha, mas nunca poderia imaginar ter essa sorte.
Meus amigos, eu ainda só tinha bebido um copo de vinho, mas voltei para a mesa toda verme-lha e mal conseguia articular as palavras para contar ao viking.
Pudesse eu e tinha trocado de roupa imediatamente e voltado para a cozinha, mas lá me sentei com um sorriso de orelha a orelha, eu estive na cozinha!
E neste estado de excitação, estilo criança a abrir presentes no Natal, chegaram os pratos prin-cipais dos quais vos falarei no próximo post.

Berlim III – museus e feiras de Natal

  Começámos a nossa sexta-feira com o pequeno-almoço em Alexanderplatz onde se pode também ver a Berliner Fernsehturm, a torre da televisão alemã, a construção mais alta do país com 368 metros.

Daqui caminhámos para um dia dedicado quase exclusivamente à Segunda Guerra Mundial. Visitámos primeiro o Deutsches Historisches Museum – Museu  de História de Berlim.

Passámos a manhã  em duas exposições, a permanente com aspectos da História da Alemanha da Idade Média aos nossos dias. O viking e eu evitamos tirar fotografias em museus, com os vidros e luzes de protecção acabam por ficar sempre mal, mas  a padeira em mim não resistiu.

 

A segunda exposição que visitámos abriu agora e documenta a subida de Hitler ao poder. Nesta, por causa de grupos neo-nazis há mais segurança e é proibido fotografar.

O viking tem uma fixação na Segunda Guerra Mundial, e vê tudo com um certo distanciamento científico, mas para mim foi difícil.

Depois de almoço ainda fomos à Topografia dos Horrores – o nome diz tudo – mas eu já não quis ver mais nada, sentei-me num banco a ler os meus guias e deixei o viking a ver a exposição sozinho.

  (Nem tirei fotografias mas deixo aqui o link)

 

Outro ponto obrigatório de qualquer turista em Berlim é Checkpoint Charlie – o local que durante a Guerra fria marcava a fronteira entre a cidade dividida.

A noite foi mais leve, passada numa das muitas feiras de Natal de Berlim. Bebemos vinho quente e claro, como todos os locais, comemos salsichas!!