Saladas em pacotes e a “falha” do meu viking

Quando vivia em Portugal nunca comprava saladas já empacotadas e misturadas. Gostava de fazer a minha própria seleção, e manter vários tipos de alfaces e folhas variadas no frigorífico prontas a preparar as saladas que me apetecesse.

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Aqui, e desde que comecei a trabalhar em cozinhas, admito que mudei um pouco. Fazemos poucas refeições em casa. Eu deixei de ter tempo para as marmitas do viking, e acabo muitas vezes por trazer alguma coisa leve para comer do restaurante.
Com o frigorífico meio cheio, e quando notei que a fruta e os vegetais se começavam a estragar, aderi às embalagens muito mais pequenas, vegetais congelados e pacotes de saladas.

Este domingo, pedi ao viking que fosse ao supermercado do outro lado da rua para nos comprar manteiga e um pacotinho de salada. Foi asneira.
O meu marido é o melhor marido do mundo, um pai dedicado dos nossos meninos, nunca se esquece de aniversários, de datas de concertos, sabe que livros ou presentes me deve comprar, é calmo e educado, inteligente e com um fantástico sentido de humor.

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Mas na cozinha…… eu admiro-me como é que ele sobreviveu antes de me conhecer. (diz-me que sabia cozinhar, mas ao longo destes anos foi-se esquecendo, eu finjo que acredito.)

No domingo chegou a casa com um “pacote de salada”, constituído por dois tipos de couve estilo couve-portuguesa, e alho-francês.
O pacote dizia também que devíamos saltear o produto antes de o servir. Notem bem, o meu marido é sueco, vive na Suécia, sabe ler a sua língua, penso eu.
Não estamos a falar de um imigrante turco que coitado foi às compras e sem perceber nada do que estava escrito no pacote nem reconhecer as verduras do país, trouxe para casa couves em vez de alface.

Eu não me deixei abater, passei as folhas por água, temperei-as com azeite e vinagre e comi-as ao jantar, ou, como devem imaginar, ruminei-as enquanto o viking devorou as suas almondegas.

Ainda tenho mais de meio saco de couves que vão acabar em sopa, mas para o meu almoço de hoje e jantar do marido, fiz uma polenta cremosa com óleo de endro, queijo e as bem-ditas couves.

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Dizem-me por vezes que a polenta não tem sabor, e é um pouco verdade. Este é um ingrediente que precisa de ajuda, um bom caldo de legumes, queijo, manteiga….

Para a vossa polenta devem utilizar as indicações da vossa embalagem no que diz respeito a proporções e tempo de cozedura.

Ingredientes:
Polenta
Caldo de cogumelos
Azeite
Sal e pimenta
Queijo parmesão ralado
Manteiga
Óleo de endro
Couves compradas por engano pelos vossos maridos.
Preparação:
Fervam o caldo de cogumelos, acrescentem a polenta e cozinhem em lume brando mexendo sempre, ou quase sempre.
Ao mesmo tempo escaldem a couve um par de vezes, escorram e salteiem num pouco de azeite.
Quando a polenta estiver cozida, misturem um pouco de manteiga e queijo ralado.
Sirvam com as couves, mais queijo parmesão e um pouco de óleo de endro.

Convidei para jantar – Dois pintores

Este mês por pouco não se sentavam convidados à minha mesa, mas cá estão eles: Giuseppe Arcimbold

o e H.R. Giger,  à primeira vista a mais estranha das combinações, e a minha participação do CpJ que decorre em casa da Guida.

Enquanto preparo o nosso petisco, brincam com vegetais da mesa da cozinha, e das suas mãos sai um pequeno Alien feito ao estilo de Arcimboldo. Encantador, não acham?

O petisco segue o tema dos vegetais, pataniscas de milho e cenouras, uma delícia que acompanhamos com cerveja belga, pois claro, e uma leve maionese de leite e coentros.

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Pataniscas de milho e cenoura

Ingredientes:

  • 120 g de farinha
  • 1/2 cdc de fermento em pó
  • 2 ovos
  • 1/2 dl de leite
  • sal e pimenta
  • 1 chili picadinho
  • 1 raminho de coentros picados
  • 200 gramas de cenouras raladas
  • 150 gramas de milho
  • óleo para fritar

Preparação:

Nada mais simples. Misturem rapidamente todos os ingredientes e fritem as pataniscas num pouco de óleo. (Não é preciso fritar estilo batatas, um fiozinho de óleo no fundo da frigideira para ajudar na cor e no estaladiço das pataniscas é o suficiente.

Fotos: http://www.riccart.com/english/Giuseppe-Arcimboldo.htm

mais sobre Giger – http://www.hrgiger.com/frame.htm

O pequeno alien é uma obra de Till Nowak e chama-se “Salad. Vejam mais aqui: http://www.framebox.com/