Três vezes gengibre e os meus domingos

Lembro-me dos domingos de criança. Era a primeira a acordar, e sem mais nada para fazer, via a missa na televisão enquanto esperava que a minha mana, que sempre foi dorminhoca, acordasse para podermos brincar. A televisão era ainda a preto e branco, a alcatifa da sala verde seco, e os sofás felpudos amarelo mostarda. Havia uma pele de vaca no chão, candeeiros, estantes e mesas feitas pelos meus avós e o meu pai. À direita o gira discos enorme, estilo armário, com os discos dos Bee Gees da minha mãe.

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Almoçávamos muitas vezes em casa dos avós e por lá ficávamos a ver as longa metragens do SandoKan ou do Tarzan. Ao lanche, torradas e chá, uma fatia de bolo certamente feito pela minha tia.

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Passados tantos anos já não sou a primeira a levantar-me. Às cinco da manhã começa a correria dos meninos que querem comida fresca, as torneiras abertas para beberem e brincarem com a água. Querem colo, querem brincar, e como são gatos não há como os mandar ir ver os desenhos animados.

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O viking levanta-se antes de mim, eu trabalho até tarde aos sábados e como recompensa há sempre café e muitas vezes um pequeno almoço na cama enquanto eu leio ou estou um bocadinho mais na ronha. Hoje o viking saiu cedo para o golfe. Eu fico com os meninos na cozinha, testei receitas, tirei fotografias, queria fazer um filme mas tenho uma queimadura feia, feia na minha mão direita, (ossos do ofício) que não  quero passada para a posteridade.
Para o lanche, e ainda que sem os antigos filmes a preto e branco do Tarzan, fiz este bolo de gengibre e xarope dourado. Sou doida por gengibre, e para além de fresco costumo ter em casa gengibre cristalizado, em calda de açúcar e seco. Ah e chá! E doce de gengibre!

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Esta receita é fácil, fácil e se tiverem todos os ingredientes em casa em minutos preparam um bolo deliciosos para o vosso lanche de domingo.

Bolo de gengibre e xarope dourado

Ingredientes:
150g de manteiga
130g de xarope dourado
30 g de xarope escuro ou melaço
50 g de açúcar mascavado
170g de farinha de trigo
1/2 colher de chá de bicarbonato de soda
1/2 colher de chá de sal
2 ovos
130ml de leite
30 g de gengibre cristalizado picado
1 colher de café de gengibre em pó
Gengibre em calda para decorar
Preparação:
Aqueçam o forno a 160°C. Barrem uma forma de bolo inglês e forrem-na com papel vegetal.
Num tachinho levem ao lume os xaropes, açúcar, manteiga e gengibre seco. Assim que derreter acrescentem o leite e os ovos batidos. Misturem este preparado aos restantes ingredientes, deitem na forma e levem ao lume durante aproximadamente 40 minutos ou até estar pronto.
Desenformem e decorem com gengibre em calda e um pouco mais de xarope dourado.

Almoço no Dinner by Heston Blumenthal – parte dois

No último episódio deixei-vos depois de termos comido as entradas e eu ter visitado a cozinha para ver os famosos ananases. (Como sempre nestes posts, desculpem a falta de qualidade das imagens….)
Voltei à mesa tão contente como uma criança no Natal e confesso que não resisti e enviei aos meus colegas uma fotografia  do restaurante “adivinhem onde estou!” O HC respondeu dois minutos depois. “No Dinner?

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E entre a menina que vem à mesa com uma escovinha limpar as migalhas do pão, o sommelier sempre atento aos nossos copos e o Jonathan que estava a tomar conta da nossa mesa, lá chegaram os pratos principais:
Powdered Duck Breast (c.1670) – Smoked confit fennel & umbles -peito de pato com funcho confitado e fumado e umbles (miudezas). O pato é cozinhado sous vide como fazemos no restaurante e é realmente deliciosos e muito macio.

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O nosso segundo prato foi Roast Halibut (c.1830) – Mussel & seaweed ketchup, salmon roe & sea rosemary – halibute assado com ketchup de ameijoas e algas, ovas de salmão e alecrim do mar. Uma apresentação maravilhosa e um prato fantástico. Adorámos as bolinhas refrescantes do salmão e o peixe cozinhado na perfeição.

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Acompanhámos os pratos principais com as conhecidas batatas fritas três vezes, sobre as quais eu tinha lido tantas vezes, e são realmente do outro mundo. Sequinhas, com uma primeira camada estaladiça e um interior macio e leve.

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Mais vinho, mais conversa com o sommelier….e as sobremesas…ai as sobremesas….Eu por esta altura admito que já estava mais do que satisfeita, mas claro que há sempre lugar para as sobremesas. O Jonathan perguntou se também queríamos o muito popular gelado feito com nitrogénio/azoto líquido que é preparado num carrinho de gelados ao lado da nossa mesa, mas nós recusámos com muita pena, fica para a próxima vez.
As sobremesas…..
Tipsy Cake (c.1810) – Spit roast pineapple – O ananas cozinhado no espeto que eu tinha ido ver à cozinha, acompanhado por um tachinho de brioche, ensopado num creme delicioso. Uma maravilha de sobremesa, mas bastante doce, o que teria sido fantástico se não estivéssemos já no fim de uma maratona gastronómica. Eu gostava que este restaurante estivesse aberto como bar de sobremesas para eu as poder provar todinhas…..

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A nossa segunda opção foi: Chocolate Bar (c.1700) – Passion fruit jam & ginger ice cream – Barra de chocolate com gelado de maracujá e gengibre. Esta foi a sobremesa escolhida pelo viking que não passa sem chocolate. Que vos posso dizer? Chocolate, maracujá, gengibre, doce o suficiente, rico e voluptuoso que baste para nos deixar nas nuvens.

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Já com os últimos copos da nossa garrafa de vinho alentejano bebidos, chegaram os cafés e uma mini sobremesa como extra oferecido pelo restaurante, ganache de chocolate e biscoitos de sementes de endro. (tenho de fazer estes biscoitos…lembrem-me)

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A conta chegou à mesa já trancada na máquina, o que não nos permitiu deixar uma compensação para o serviço e os chefs que nos proporcionaram umas horas maravilhosas. Eu ainda perguntei se podia acrescentar um extra mas o serviço está incluído, não aceitam gorjetas.
Nós agradecemos imenso a refeição, e o serviço e antes de nos levantarmos o Jonathan disse-nos que se pudéssemos esperar um bocadinho, nos levava para uma visita guiada à cozinha. Na cozinha uma segunda vez!! Eu quase me levantei para lhe dar um abraço, mas contive-me, foi difícil.
Desta vez o meu viking, que não tem interesse nenhum em visitar cozinhas, acompanhou-me, eu lá fui fazendo perguntas aos chefs, e admito que se pudesse tinha ficado logo lá a preparar o serviço de jantar. Contaram-me como está organizada a cozinha, os horários, quantos chefs, a que horas comem, falaram-me da cozinha onde se faz toda a preparação e que nunca vemos. E responderam educadamente às perguntas que eu lhes fiz relativas à preparação de alguns pratos. (O viking já um bocadinho aborrecido, admito.) Perguntei outra vez se podia tirar umas fotografias e para terminar, o Jonathan disse que se nos colocássemos em frente ao passe nos tirava uma fotografia aos dois na cozinha. Eu não sou nada fotogénica, e fiquei com uma cara entre o “parva” e o “oh meu Deus oh meu Deus, isto não me está acontecer”, mas foi um final perfeito.

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Despedimo-nos, trouxeram-nos os nossos sacos do Fortnum & Mason e saímos do hotel para um passeio pelo hyde Park antes de regressarmos ao nosso hotel.

"Viking, estiveste no Dinner? Conta-nos tudo!"

“Viking, estiveste no Dinner? Conta-nos tudo!”

E embora eu não goste de falar de dinheiro, creio que é uma informação importante caso queiram visitar este restaurante, desculpem-me o mau gosto. O preço final foram quase 270 libras (penso que aproximadamente 380 €), duas entradas, dois pratos principais, duas sobremesas, dois cafés, uma dose de batatas fritas, uma garrafa de vinho (70£). Ao almoço há também um menu mais simples (38£ – três pratos).
É um restaurante descontraído, podemos partilhar uma sobremesa ou beber coca-cola em vez de vinho, tomara eu que todos os restaurantes com estrelas Michelin recebessem tao bem os seus convidados com este. Em termos de serviço e qualidade da comida, não há melhor, não há. Se tiverem oportunidade, não percam uma refeição no Dinner, é uma experiencia que nunca esquecerão.