A Pastelaria · bolinhos e bolachas

Macarons e a história de um vício

Conheço poucas palavras com uma conotação tão negativa como esta: vício. Porque mesmo que o vício de que “sofremos” não nos prejudique a nós nem aos que nos rodeiam, ser viciado significa não poder passar sem algo, ser dependente, e logo ser fraco.

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Um viciado em deporto não é uma pessoa com a força de vontade, que por vezes nos falta, para se levantar mais cedo e ir correr quer chova, quer faça sol, quer neve… Um viciado em desporto é um tipo escanzelado com bronze de camionista, e com nada melhor para fazer na vida do que correr 80kms todos os fins-de-semana.
Um viciado em trabalho não é uma pessoa lutadora, competente e ambiciosa, é alguém que “tem tempo” para se dedicar a cem por cento à sua carreira porque no fundo “só lhe interessa o status e o dinheiro”.

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Eu sou cheia de vícios e defeitos, uns dos quais francamente me orgulho, outros que nem por isso. Uns patentes a aceites por todos, outros escondidos literalmente debaixo dos cobertores. E é de um destes vícios que vos vou falar hoje.
Olá, o meu nome é Ana e sou viciada em Vicks vaporub.

Lembro-me que quando era pequena a minha avó nos besuntava com vicks antes de nos meter na cama quando estávamos doentes. Tinha também o hábito de colocar uma folha de papel pardo entre a nossa pele e o pijama, para evitar que este ficasse “sujo” de vicks. A ideia era boa, mas o papel fazia imenso barulho cada vez que voltávamos na cama e acabávamos por, para grande irritação da avó,  o deitar fora.
Talvez tenha sido assim que começou o meu vício, por o cheiro deste produto me lembrar ser criança e ter alguém que tomasse sempre conta de mim, se é o conforto de uma cama quentinha com lençóis de renda e cobertores em vez de edredons.DSC_0029
Näo vivo sem uma embalagem de vicks na mesa-de-cabeceira. O viking apanha-me por vezes debaixo dos lençóis, estilo tendinha, a cheirar o frasquinho como se a minha vida dependesse disso.
Adoro a mistura de cânfora mentol e eucalipto e fora de casa, quando não posso nem devo cheirar a vicks, vingo-me em pastilhas para a tosse com eucalipto e mentol, listerine e pasta dos dentes.
Esta minha falha, esta minha falta de determinação para combater o meu vício, foram a inspiração para estes macarons, aromatizados com eucalipto e mentol.

E vícios destes, também os têm?
Há imenso tempo que não fazia macarons e um dia contar-vos-ei por que motivo andava a evitar estes bolinhos há anos.
Por hoje fica a receita destes macarons, extra gelados, extra refrescantes, extra viciantes.

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A receita de macarons que uso foi-me dada por um pasteleiro francês. Eu uso um décimo da receita original e consigo aproximadamente 12 macarons. (20 a 24 bolachinhas.)
Algumas das recomendações que me foram feitas e que eu continuo a seguir:
– Usem claras envelhecidas (eu deixo as minhas pelo menos 24 horas no frigorifico)
– O método para fazer macarons com merengue italiano é mais seguro e fiável e é o escolhido por pasteleiros profissionais.
– Optem por corantes em pó ou gel.
Ingredientes:
Para a massa de amêndoa:
50 gramas de amêndoas picadas peneiradas duas vezes
50 gramas de icing sugar peneirado
18 gramas de claras de ovo
Corante alimentar em pó ou gel
Para o merengue:
50 gramas de açúcar
12,5 gramas de água
18 gramas de claras de ovo
Para o recheio:
50 gramas de chocolate negro picado
12 rebuçados tipo “halls” picados
0,2 dl de leite ou natas.
Preparação:
Aqueçam o forno a 140°C. forrem um tabuleiro com papel vegetal.
Recheio – ganache de chocolate
Derretam todos os ingredientes no micro ondas. (30 segundos de cada vez) reservem no frigorífico.
Massa de amêndoa:
Misturem bem o icing sugar com a amêndoa picada, as claras e o corante. Reservem.
Merengue:
Levem ao lume o açúcar com a agua até obterem um xarope (120°C). Ao mesmo tempo batam as claras em castelo. Com cuidado deitem o xarope sobre as claras sem parar de bater até o merengue arrefecer.
Misturem 1/3 do merengue na massa de amêndoa e misturem bem. Quando esta mistura estiver mais macia adicionem o resto das claras mexendo até tudo estar bem incorporado. Não precisam de envolver a mistura com cuidado como se estivessem a fazer um soufflé. Saber quando o preparado está pronto, é a parte mais “complicada” para quem faz macarons. Eu vou levantado a espátula e quando a massa cai como se fosse uma écharpe de seda, paro imediatamente.
Coloquem o preparado num saco de pasteleiro e formem os macarons. Batam o tabuleiro um par de vezes na bancada para retirar bolhas de ar. Deixem os macarons secar meia hora antes de os colocar no forno durante aproximadamente 13 minutos.
Depois de prontos, recheiem os macarons com o ganache, e reservem no frigorífico até servir. (macarons devem ser sempre guardados no frigorífico para não secarem demasiado.)

13 thoughts on “Macarons e a história de um vício

  1. Bem vinda de volta, espero que esses haed chefs lhe deixem mais um bocadinho para poder continuar com este blog fantástico! O que tenho aprendido aqui.
    Claro que estes macarons vão ser a sobremesa de um dos próximos almoços de sábado ( familia) . Já afora, trituro os halls no robot? É que não me parece que fiquem suficientemente “finos”.
    Bem Haja

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  2. 🙂 Nunca tinha ouvido relatos de pessoas viciadas em Vicks vaporub, mas achei a ideia deliciosa! Eu não me confesso viciada, mas também gosto imenso do cheiro, mas não a ponto “…de debaixo dos lençóis, estilo tendinha, cheirar o frasquinho…” 🙂
    Os macarrons ficaram com uma cor maravilhosa, super vibrante. Gostei imenso.
    Beijinhos

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