A minha vida na Suécia

Um conto de Natal

Se me acompanham via instagram ou facebook, sabem que os últimos dias têm sido cheios de aventuras mais ou menos felizes. Trabalhei quase até ao Natal, o meu mano chegou dia 22, a mala perdeu-se pelo caminho, a gripe não me deu descanso. Mas, se estivermos todos bem, tudo o que vier de bom é um bónus.

Dia 22, depois de chegarmos a casa sem a maleta e o pão de rala que os meus pais nos enviaram, o viking foi num instante ao escritório e o meu mano e eu pusemos a conversa em dia e  fizemos planos para estas férias.

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Para mim para o viking e para dois dos meus gatos ter o meu mano connosco é uma alegria, para a Willow, a minha gata do meio, é motivo de muito stress e pânico.

Como sabem temos 3 gatos, a quem chamamos os nossos meninos. O Lestat tem 14 anos, mudou-se comigo de Portugal. A Willow e a Lenore estão connosco desde os 3 meses. Os nossos gatos não saem de casa a não ser para ir ao veterinário ou para o hotel quando viajamos. São mimados, fazem o que querem, e são a luz dos nossos olhos.

Como a Willow se esconde assim que alguém estranho entra em casa, não  estranhámos a sua ausência, até o viking ter voltado do trabalho e termos ido às compras.

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Por baixo da cama não estava, na marquise também não. O nosso medo de ela para escapar ao meu irmão se tivesse escapulido porta fora foi crescendo. Teria fugido quando viemos com os sacos das compras? Quando o meu irmão foi ao jardim? Quando o viking saiu para o trabalho?

Virámos os sofás, arrastámos estantes, nada. O Viking e o Pedro saíram para a procurar no jardim e na rua e perguntarem aos vizinhos se tinham visto uma gatinha amarela.

Eu fiquei em casa em silêncio na esperança que ela de alguma forma aparecesse. As horas passaram, os rapazes regressaram sem notícias. Colocámos apelos no facebook e pelo condomínio.

Passámos a noite sem poder fazer muito, talvez algum vizinho a tivesse recolhido, talvez alguém a leve ao veterinário e vejam que está registada no nosso nome. Saber que algures no meio da noite, está perdida a nossa menina, que nunca saiu de casa, que tem medo de toda a gente, ao frio e à chuva, sozinha, e nós impotentes, sem a conseguirmos ajudar.

Às cinco da manhã voltámos a sair para as buscas, e de novo regressámos ainda mais tristes, o receio de que talvez nunca mais a víssemos a aumentar.

Nessa manhã tínhamos de levar o Lestat ao veterinário, e com o coração apertado e os olhos inchados, lá nos arranjámos e preparámos para sair. Às 8.30, o inacreditável aconteceu. O Lestat desapareceu. Desta vez estávamos certos de que não tinha fugido para a rua. De novo, sofás virados, guarda- fatos inspecionados com extra luz, todos os cantos revirados, até entre o fundo das estantes e livros procuramos, dentro de todas as gavetas, dentro das caixas com as decorações de natal! E  o viking: Então isto é o triangulo das Bermudas? Daqui a pouco desaparece também a Lenore?

Mas ao mesmo tempo a esperança de que talvez a nossa Willow ainda estivesse em casa começou a crescer.

IMG_2440Lembrei-me de que tinha visto o Lestat talvez uma hora antes a sair do armário por baixo do lava loiças, e até lhe tinha dado um ralhete porque é o armário onde temos o baldinho do lixo e os detergentes, e não sabemos como ou porquê os meninos adoram abrir a porta e puxar os frascos para o chão.

Abri a porta e tirei tudo do armário de novo. Quando a cozinha foi construída, e antes de vivermos aqui, em vez de terem cortado o chão do armário num circulo à volta do cano, cortaram a direito, criando uma mini prateleira. O que nós não  sabíamos é que debaixo dessa prateleira havia um buraco que dava acesso a um corredor todo ao comprimento dos armários da cozinha.

Enquanto eu chamei o Pedro e o Magnus para me virem ajudar, saltou o Lestat de dentro do armário. Estilo truque de magia, não há nada, sai um gato de seis quilos…..

O viking com custo tirou umas fotografias e no fundo  do buraco, encostada à parede, lá estavam os dois olhinhos a brilhar no escuro da nossa menina.

Esperei horas sentada no chão até a convencer a sair do refúgio.

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E eu que gosto de tudo organizado e planeado, eu que faço listas e nunca estou satisfeita com o suficiente, estive a segundos de partir os armários todos da cozinha com o pé de cabra para salvar a menina e servir pizza congelada na ceia de Natal.

Tinha sonhado com uma super produção para o primeiro Natal passado na minha casa, acabámos com um menu reduzido, algumas coisas compradas feitas,  mas com o coração cheio de alegria,  não podia ter sido uma ceia melhor.

Vejam este maravilhoso bolo que dois dos nossos meninos prepararam para o meu Viking no dia do pai.

6 thoughts on “Um conto de Natal

  1. Bom Natal Ana!
    É bom saber que a menina aí de casa estava bem e que o natal, mesmo assim, foi bom. A casa nova da padaria está linda, parabéns! E que 2016 traga alegria e sucesso a esta e outras cozinhas!
    Beijinhos de Portugal!

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  2. Nem imagino a aflição, Ana. A minha Maria Bolacha também tem medo de estranhos, mas o meu maior susto foi deixar uma janela aberta no Verão e não a encontrar; ela não quis nada com a janela, agora sei que olha lá para fora e volta para o pé de mim, mas quando não a encontrei logo da primeira vez… não ganhei para o susto.

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  3. Lá está, por vezes achamos que o Natal é algo que na verdade não é. O Natal é precisamente darmo-nos conta que temos tudo o que precisamos e como temos sorte por assim ser.
    Fico feliz que o teu conto de natal tenha um final feliz 🙂
    Boas festas Ana 😀

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