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Almoço na Taberna do Mercado e a nova paixão do Viking

O almoço na Taberna do Mercado do chef Nuno Mendes foi a melhor refeição desta nossa visita a Londres. Podem ler mais sobre este dia aqui.

Sempre achei estranho que durante as férias se queira comer e viver como se estivéssemos em casa. São os ingleses que não passam sem o fish and chips, os suecos que vão para hotéis com outros suecos ouvir música sueca, comer almôndegas e salmão fumado.

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O meu caso como sabem é um pouco diferente. Não tenho acesso livre a pasteis de nata ou garrafas de Sumol. Queijos  e enchidos portugueses, só os que trago na “valisedecarton”.

Mas não foi por isso que quis visitar este restaurante, a mim ninguém me apanha nos vários restaurantes de frango assado português espalhados por Londres.

A verdade é que tenho uma admiração de anos pelo Nuno Mendes, e a ideia de um restaurante que reinterpreta os nossos petiscos é para nós imperdível.IMG_4014

E digo para nós porque quem quer ver o viking contente e dar-lhe uma fatia de pão de rala, um rissol, queijinho da serra ou os seus favoritos: amarguinha e ginjinha, ou como ele diz “amarguina e ginjina”.

Chegámos ao restaurante um pouco antes da hora marcada, num domingo. Perguntámos se podíamos beber qualquer coisa enquanto esperávamos, mas foi-nos indicada imediatamente a nossa mesa.

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O restaurante parece-se um pouco com o que seria uma taberna moderna, um pouco espartano, quase nórdico no seu estilo despojado. É ainda assim acolhedor, e para isso contribui muito haver música, o  serviço, e o bónus que é o cheirinho a choco grelhado que de vez em quando escapa da cozinha.

Aqui comem-se petiscos. E para mim e para o Magnus, petisqueiros de primeira, não há refeição melhor.

Pedimos para começar umas bebidas: Amarguinha sour para o viking (receita abaixo) e um fantástico Nautilus Martini para mim servido com couve flor em pickles. Ora sabendo vocês o que eu adoro pickles, o almoço estava já ganho antes de começar.

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O serviço funciona da forma mais descontraída que já vi. Fazemos os nossos pedidos e os pequenos pratos vão chegando à mesa à medida que estão prontos.

Os primeiros pratos que provamos foram os rissóis de camarão, crocantes  e quase líquidos por dentro. (O recheio não tem aquela cor de rissol feito com sopa de marisco de pacote, é mais escuro e muito saboroso)

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Com um prato de pão tostadinho, chegou o choco grelhado com caldo de pezinhos de porco e coentros. O viking não fala de outra coisa, e até já vos perguntei no facebook como se faz uma coentrada  a sério.

Como a “especialidade da casa” são os “enlatados”, pedimos todos os que estavam na lista: Cavala num refogado de tomate (mas a milénios luz da lata de cavala em tomate de supermercado), Mexilhões em escabeche (medalha de ouro dos enlatados para o Magnus), e as minhas medalhas de ouro ex aequo: Bacalhau confitado com tomates e alcaparras e….raia com batata doce e salsa.

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Para beber escolhemos uma garrafa de alvarinho. Todos os vinhos da carta são claro portugueses.

O viking ainda tinha pensado atacar uma bifana ou um prego, mas a verdade é que tínhamos comido imenso pão, quem pode resistir aos molhinhos das latas e ao caldo do choco?

 

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Antes da sobremesa pedimos ainda queijo de S Jorge. Acho que de todos os queijos portugueses é o meu favorito, e impossível de encontrar aqui.

IMG_4018.JPGCom os dois cafés duplos chegaram os docinhos, Abade de Priscos, e Granita de Nêsperas, mais uma vez impecáveis.

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O serviço é descontraído mas atento e cuidadoso. Ao ponto de nos oferecerem as ementas quando viram que o viking estava a tirar fotografias ao glossário  que explicava palavras como “coentrada” “petisco” “lagareiro” em inglês.

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Depois de já termos pago o viking pediu a receita do amarguinha sour. O Barmen, também uma  simpatia, descreveu a receita em detalhe, e até nos explicou as técnicas que tinha aprendido na escola de hotelaria do Porto. 😉

O viking e eu gostamos de comer sempre em restaurantes diferentes e experimentar comidas novas, mas garanto-vos que na próxima visita a Londres, vamos estar caídos na Taberna de novo.

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Eu entretanto contactei o restaurante para agradecer o almoço e perguntar se podia publicar a receita que eles tinham tao gentilmente partilhado connosco. E aqui está ela, a nova paixão do meu viking:

 

Sour de Amarguinha.

 

Na Taberna há sempre claras de ovo que sobram do abade de priscos e dos pasteis de nata. Eu como sabem não gosto de ovos e a ideia de claras ainda por cima cruas arrepia-me. Para a minha receita usei claras de ovo pasteurizadas que aqui se compram no supermercado. Preparem-se para muitos posts e receitas com merengues, macarons e afins.

A bebida feita no restaurante estava mais vermelhinha e espumosa do que a que fizemos em casa, estará a minha ginjinha velha? (O  viking bebeu dois copos e sobreviveu…)

 

Para uma Porcão:

25 ml de amarguinha

25 ml de ginjinha de Óbidos

25 ml de sumo de limão

25 ml de claras de ovo

 

Coloquem todos os ingredientes no shaker com a espiral de metal e gelo. Agitem quatro vezes. Coem e sirvam num copo de cocktail.

10 thoughts on “Almoço na Taberna do Mercado e a nova paixão do Viking

  1. Ana querida,
    Estou in love. Se a Taberna já estava na minha lista dos “a visitar” numa próxima visita a Londres, com este teu relato e fotos, qualquer dúvida que pudesse ter, dissipou-se.
    Sabes que comprei recentemente o livro da Rosie Brisket, o East Lomdon Food e vem lá a Taberna e a receita dos pezinhos de coentrada, por isso, caso queiras muito, envio-te a receita do Chef Nuno.
    Lindo post!! Amei e babei muito!!
    Um beijinho,
    Lia

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  2. Petiscos é comigo mesma looool!! Adoro petiscar, finger food e porções pequeninas – até posso enfardar que nem um animalão e dizer a mim mm que são doses tão piquenas que mal n faz! Só o queijo de S. Jorge é q n me convidem, é daquelas coisas que não posso. Tb m faz um bocado de confusão a malta viajar e querer ficar por comer apenas o que está habituado a comer nos seus países de origem, sem se aventurarem na gastronomia local dos países que visitam, acho tão… narrow minded! Eu que não viajo fisicamente ando sempre a viajar pela gastronomia de outros povos, lol. Posto isto, jamais me apanhariam a comer baratas fritas ou qq outro insecto, apesar de ser aquela pessoa que se me deixam sózinha com um prato de caracóis, quando voltarem só há o prato vazio…
    https://bloglairdutemps.blogspot.pt/

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    1. iIsabel, fico-lhe tao agradecida pelas suas palavras. É por causa dos meus leitores que a minha padaria continua aberta. Não há leitores como os meus, sempre com uma palavra amiga, com um conselho nos meus momentos mais difíceis, não tenho com vos pagar. Um grande grande abraço. (vou ver a receita 🙂 )

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  3. Parece-me ter sido uma boa surpresa, mesmo com altas expectativas! O ambiente até parece agradável e adequado a uma refeição de petiscos 🙂
    O facto de oferecerem a ementa e explicarem a receita é fantástico, o tipo de coisas que faz mesmo a diferença quando uma pessoa vai a um restaurante e que o marca como sítio a visitar de novo 😀

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