A Pastelaria · bolos e sobremesas · Heston Blumenthal

Trifle 2016

Trifle, a mais emblemática de todas as sobremesas inglesas, é este mês o desafio do sweet world da Susana e da Lia.

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A origem deste prato remonta à Idade Média, nesta altura pensava-se que os doces ajudavam a digestão e  uma espécie de buffet de pequenas iguarias começaram a ser servidos no final da refeição.

Deste buffet faziam parte uma espécie de requeijão aromatizado com água de rosas ou flor de laranjeira, gelatinas, biscoitos para ensopar em vinho doce, Syllabub, (podem ver a receita  e história do syllabub, a sobremesa mais rápida do mundo, neste post já antigo), e comfits que eram sementes tostadas cobertas de açúcar.

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Antes de 1740 alguém se lembrou de colocar todos estes doces numa tigela em camadas, terminando com o syllabub e servi-los  como  uma única sobremesa.

Não há, Segundo Heston Blumenthal e Ivan Day, um historiador de comida britânica, apenas uma receita de trifle ou uma a que se possa chamar a autêntica ou verdadeira trifle.

A primeira camada, geralmente um pão de ló, pode ser substituída como faz HB no Em busca da Perfeição, por palitos de champanhe. Notem no entanto que é importante que ensopem esta camada, geralmente em vinho xerez, ou quando acrescentam a gelatina o bolo levanta e fica a boiar estilo glóbulo vermelho na mistura de gelatina e frutos.

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A gelatina pode ser usada ou não, o mesmo chef usa noutra receita pannacotta.

A camada de custard, é  um creme de pasteleiro que se pode aromatizar ao nosso gosto.

Para a minha receita de hoje decidi em vez da  mais tradicional trifle servida numa grande tigela de vidro, criar uma sobremesa menos convencional mas com os elementos deste famoso doce.

A Lia, apresentou também uma fantástica Trifle “desenformada”, e este tipo de reinterpretações  da trifle são tao comuns que uma trifle parecida com a da Lia foi a escolhida para como sobremesa no banquete do muito tradicional Great British menu do ano passado.

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Se querem saber mais sobre a historia desta sobremesa, podem ver o episódio do In Search of perfection de HB dedicado a este doce, e consultar também o capítulo do seu livro com o mesmo nome. (Boa sorte para reproduzir a receita dele, tem 12 elementos, eu tinha de tirar férias…talvez um dia…)

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Parece indefesa mas para fazer esta sobremesa até um berbequim eléctrico foi usado.

 

 Trifle 2016

Os elementos da minha trifle são:

 

  • Gelatina de fruit cup
  • Creme de pasteleiro com lingon
  • Chantilly
  • Bolachas de sementes de cominhos
  • Cerejas e framboesas
  • Pistácios

 

Para 2 porções:

Gelatina de fruit cup ou vinho do Porto ou jerez

– usei fruit cup de HB que comprei em londres no waitrose, não sei se em Portugal se encontra esta bebida, indico por isso receitas alternativas.

Ingredientes:

  • 2,5 dl de fruit cup
  • 1 folha de gelatina

Preparação:

Aqueçam o fruit cup e hidratem a folha de gelatina em água fria. Retirem o fruit cup do lume, escorram bem a folha de gelatina e misturem os dois ingredientes. Dividam o preparado por duas caixas redondas barradas com óleo e levem ao frio até solidificar.

 

Podem usar em vez de fuit cup vinho do Porto ou Jerez com sumo de laranja ou frutos vermelhos (50-50%).

 

Bolachas de sementes de cominhos

Esta é uma receita do chef HB da qual já vos falei aqui e sobre a qual escrevo para a semana que vem um post. (link brevemente)

 

Para o creme de pasteleiro:

½ receita do meu creme de pasteleiro

1 colher de sopa de geleia de lingon ( à venda no Ikea) ou outro doce ao vosso gosto.

Preparação:

Preparem o creme de pasteleiro de deixem arrefecer no frigorífico coberto (em contacto) com película aderente.

Quando estiver bem frio adicionem a geleia e batam bem. Deitem o preparado num saco de pasteleiro e reservem.

 

Para o chantilly:

  • 2 dl de natas para bater
  • 1 colher de sopa de icing sugar.

Preparação:

Batam as natas com o açúcar até obterem a consistência de chantilly, cuidado para não baterem demais ou fazem manteiga!

 

Frutos vermelhos:

Com muita pena minha no fim de Setembro comeca a ser difícil, muito difícil, encontrar frutos vermelhos frescos por aqui, mas se encontrarem cerejas, framboesas ou morangos ainda madurinhos e lindos, usem-nos em vez dos congelados a que tive de recorrer.

 

Pistácios:

Basta picarem grosseiramente uma mão cheia de pistácios ou outros frutos secos de que gostem.

 

Montagem:

Cuidadosamente desenforme a gelatina no centro dos vossos pratos de servir. Se vos acontecer o horror da folha de gelatina se dobrar quando cai da caixa para o prato, não esmoreçam! (adoro esta palavra)

Atirem com tudo para dentro da caixa, levem ao micro-ondas durante apenas 10 segundos, e de volta para o frigorífico até solidificar.

Se voltar a acontecer não amaldiçoem a trifle, o blogue e o Heston Blumenthal, voltem a colocar no micro-ondas e em vez do frigorifico usem o congelador. Certo que a gelatina fica um pouco para o opaco, mas sempre quero ver um disco de gelo a dobrar-se! Ah!

Depois basta decorar com os outros elementos antes de servir. Penso que até é uma sobremesa bem fácil de fazer. Se estão sem tempo, ou são noviços na cozinha, podem usar gelatina de pacote, bolachinhas já feitas, e até chantilly de lata….

Vai fazer sucesso, vão ver!

8 thoughts on “Trifle 2016

  1. Mais tradicionais, ou menos, acho os trifles lindíssimos, e até agora todas as versões que vi feitas para o sweet world são visualmente lindíssimas.
    Gostei mesmo muito da tua, mesmo muito. Lindíssima, mesmo à chef 😉
    beijocas grandes
    Marta

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  2. Bem Ana, mais uma vez deixaste-me de queixo caído!
    Que versão mais linda, original e super actual deste clássico.
    E adorei ler as tuas notas. Realmente não há só uma inequívoca receita de Trifle e confesso que tive bastante dificuldade na pesquisa. Há muito ambiguidade. As orientações da Lia foram fundamentais.
    Já aprendi aqui alguns termos que tenho de pesquisar. 😉
    Muito Obrigada pelas tuas participações únicas e sempre especiais que tanto adoramos.

    Bjinhoss

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  3. Ana minha querida,
    Só hoje consegui vir ver esta maravilha e tenho de confessar que estou de queixo caído!!!!
    As tuas sugestões são sempre magníficas mas esta, esta superou e as fotos estão mesmo capa de revista!
    Amo de paixão esta tua versão do trifle e eu tenho esse livro do Heston como imaginas e sei bem, o quão elaboradas e impossíveis de replicar são as receitas desse livro, a menos que te dediques 1 mês a elas, como dizes…
    Sabes bem que adoro esta tua padaria e adoro precisamente porque me identifico com este teu cantinho, ou seja, o thinking outside of the box…
    Amei Ana e obrigada por tão lindo e maravilhoso trifle.
    Ando sem tempo para visitar blogues e estou em falta aqui no teu cantinho, como em tantos outros, mas assim que puder dedicar-me às visitas, virei ver tudo com calma, pois não gosto de fazer visitas à pressa. Este post, vi-o, li-o e não podia ir embora sem comentar, pois arrasaste uma vez mais.
    Um grande beijinho,
    Lia

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