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Julho

Começo por vos pedir desculpa pela falta de notícias e posts aqui no blogue. No instagram é mais fácil publicar porque uso só o telefone, francamente não tenho tido disposição ultimamente para me sentar ao computador, e não posso trabalhar com ele no colo, o meu colo esteve até sexta-feira ocupado durante todo o tempo que estive em casa.

Até sexta-feira. Nesse dia o meu menino deixou-nos. O Lestat tinha 17 anos, tinha falha renal há anos, e estava muito doente desde Setembro quando lhe deram apenas dois meses de vida. Mas com amor, e os melhores cuidados, ainda passou o Natal connosco, ainda festejamos o meu aniversário e dele.

Durante a semana passada o estado gravou-se muito rapidamente e ao vê-lo a sofrer e sem mais nada que os médicos pudessem fazer, decidimos ajudá-lo a descansar.

Eu estou a escrever-vos isto não para que tenham pena de mim e do viking, ou para me justificar por alguma coisa. Queria contar-vos porque talvez possa ajudar alguém que esteja a passar pelo morte de um gatinho ou outro animal.

O Lestat  e eu estamos juntos desde que ele era bebé, eu nunca tirei férias longe dele por mais de duas  semanas porque tenho muitas saudades, e ele deixava de comer. Dormiu sempre comigo, fomos durante estes dezassete anos inseparáveis.  Eu tento sempre ver algo positivo mesmo nos maus momentos, mas não há nada de bom na perda de alguém.

Nao me quero alongar,  mas deixem-me partilhar o que fizemos para nos “prepararmos” para este momento.

Desde Setembro que tomámos consciência de que o vamos perder. Não marcámos férias este ano, não desperdiçamos um segundo do tempo que ainda tínhamos com ele.

Fizemos tudo o que medicamente se podia fazer, o melhor cuidado, a melhor comida, exames e análises quase mensalmente.

Preparámos o momento e como, caso tivesse de ser, o ajudaríamos a partir.

Escolhemos uma urna toda gira e alegre, porque o meu Lestat é um gato cheio de estilo, eu encomendei também um gatinho de prata, berloque de colar para guardar cinzas. (Desculpem lá se isto é mórbido, mas tem ajudado, e quem sabe ajude outra mãezinha a passar pelo mesmo.)

O passo mais importante, e se puderem, se tiverem condições para o fazer, é mesmo o melhor para os vossos animais que estão num estado terminal, é que possam morrer em casa.

O Lestat ainda passou uma noite no hospital, mas quando a situação se agravou e não havia mais nada a fazer, veio para casa no meu colinho, e esteve connosco e com as manas o dia todo.

Uma veterinária veio aqui a nossa casa, e foi no nosso quarto ao nosso colo e com a almofadinha onde dormia sempre que a vet o ajudou a descansar. Não faz impressão, eles ficam como a dormir. Se puderem dar este último momento de paz aos vossos meninos, nas casinhas onde vocês e eles foram felizes,  não deixem de o fazer. Era isso que vos queria contar.

Eu entretanto estou quase de férias, talvez o viking e eu ainda passemos alguns dias fora de casa e de Malmö. Depois conto-vos.

Quero muito voltar a escrever na Padaria, e a posts menos tristes. Se alguém quiser partilhar comigo alguma coisa sobre este assunto, é claro que o podem fazer, mas eu não voltarei a tocar neste assunto, penso que compreenderão.

Um grande abraço a todos e até muito breve. Obrigada por terem lido.

 

 

12 thoughts on “Julho

  1. Querida Ana,
    Já me tinha perguntado porque não tinha recebido mais notícias. Sou portuguesa, de Lisboa, onde moro com o meu marido e os gatinhos Rubi, 15 anos, Leão de 13 e Isis de 3. Precisamente há 3 anos, a nossa menina Joaninha, de 13 anos, partiu para aquilo que na minha fantasia chamo de Céu dos Gatos. Esteve com cancro durante dois anos e meio, demos-lhe tudo o que foi possível em tratamentos e Amor. Era tão doce que todo o pessoal médico e outro chorou quando a ajudámos a partir – na nossa presença e sempre a sentir as nossas mãos e uma canção que lhe cantava desde pequenina. Também teve um pequeno caixão branco e repousa no Cemitério dos Animais no Jardim Zoológico.
    Por isso, compreendo e respeito a tua dor e não acho nada piegas o que contas. Só quem vive com um animal desde pequeno pode compreender que sentimos a sua partida como a de um familiar próximo. Depois apareceu-me do nada a Isis. Dei-lhe este nome da deusa do Amor egípcia porque ela veio mitigar um pouco as nossas feridas. Um abraço e desejo-te umas boas férias. que ajudem a cicatrizar as vossas feridas. Mas a memória do Lestat ficará sempre a acompanhar-te. Maria Teresa

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    1. Maria Teresa, muito obrigada pelas tuas palavras e tamb´me por partilhares a história da Joaninha. O Magnus quer voltar a adoptar, e eu sei que temos lugar em casa, mas tem-me custado pensar nisso. Temos mais duas meninas, vieram também de abrigos de animais como o Lestat e há lugar para mais um gatinha, mais de 3 nao podemos ter pq vivemos num apartamento nao mt grande. Quando adoptámos a nossa Lenore, queríamos até um gato adulto que tivesse sido abandonado, mas as senhoras disseram que um gato que tivesse vivido na rua ia em geram preferir uma casa com jardim para poder sair… Entretanto vamos sair amanha para umas curtas férias, mas aqui em casa ou a viajar temos sempre muitas saudades do Lestat.
      Um grande beijinho e até breve.

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  2. Não consegui (não consigo) reter as lágrimas ao ler o seu relato. O meu caniche Snoopy, assim baptizado pelas crianças, deixou-nos ao fim de dezasseis anos de companhia. Nunca fiz férias sem ele. Era outro filho. Deixou-nos um dia, ao fim da tarde, e sei que esperou que eu voltasse do escritório para partir. Tenho uma caixinha com tufos do seu pelo branco encaracolado que gosto de acariciar. Logo que penso nele ou me cruzo com outro “mano” semelhante fico sempre de olhos molhados ou nem consigo parar de chorar – como neste momento – tanta é a saudade.
    Mozi

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    1. Mozi, como compreendo, eu guardei a t shirt que tinha vestida num saco, na esperança que com os pelinhos dele ainda haja um restinho do meu menino. Ontem recebemos as cinzas, o meu menino dentro de uma caixinha, só pó. Eu tento distrair-me e pensar que a vida continua e tenho o viking e duas meninas que qs abandonei desde o Lestat ficou doente, mas tenho muitas saudades dele. Um grande beijinho Mozi 🙂

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  3. Ana
    Obrigada por este post.
    Pensar que um dia o Mel tem de deixar-me dá-me uma tristeza de lágrimas. O que escreveste poderá ser uma ajuda, se o Mel for primeiro do que eu.
    Espero em Deus que em Portugal haja essa hipótese, de vet vir a casa.
    Partir sozinho é algo duro, para os que amamos (pessoas e animais).
    Beijinho

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  4. Hejsan
    Que o Lestat descanse em paz.
    Também tenho uma gatinha há dois anos, veio para mim órfã com 20 dias e ainda sem dentes, tive que lhe dar biberão durante duas semanas, safou-se e é uma excelente e carinhosa amiga. Preocupa-me que um dia tenha que partir, mas mais vale aproveitar até lá.
    ha det så bra

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  5. Ana
    Não pode imaginar como a entendo e admiro. Você e o Wiking conseguiram o melhor caminho possível. Passei por isso e foi totalmente diferente. Tivesse lido o que você escreve, teria lutado para que fosse de outra forma. Até hoje sinto-me órfã da minha peludinha. E já se passaram 14 anos. A saudade é eterna, mas é preciso fazer dela principalmente uma gratidão por todos os anos, meses, semanas, dias e horas felizes passados juntas. Receba o meu carinho solidário. Beijos.

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