Financiers de coco e pêssego e coisas de fruta.

Os pêssegos com a sua textura fresca e carnuda e a cor quase dourada, são um dos reis do verão e foram eles os escolhidos pela Marta como ingrediente do mês de Julho.

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Isto não são hot cross buns – mais um pedido de desculpas

Durante a edição passada do Sweet World a Lia e a Susana convidaram-nos a fazer hot cross buns. Eu, a mulher dos planos, enchi-me logo de ideias. Mas como vos digo muitas vezes, se Deus tem um plano, a mim coube-me não poder planear nada.

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Adiante.

Se tudo tivesse corrido como imaginado por mim, teria no prazo do passatempo, publicado uma receita de hot cross buns, com gengibre e chocolate, e wait for it…. sourdough/ massa azeda.

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A ideia era boa, eu é que como sempre, falhei.

Comecei cheia de vontade, e a pensar que uma vez que nunca tinha feito massas enriquecidas com o meu isco/starter, fosse falhar a receita várias vezes até acertar com a fórmula, poupei a primeira tentativa ao chocolate e ao gengibre. (imaginei que acabasse tudo no lixo)

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Mas até correu bem, os bolinhos começaram a crescer, fofinhos, lindo, foram para o forno, o viking foi para o golfe. Eu sentei-me na sala, e tao cansada como habitualmente, adormeci.

Acordei com o alarme de fumo em casa a apitar e a correria dos meninos. O forno estava numa nuvem de fumo tao grande, que já tinha invadido o resto da casa. Eu a custo lá arranquei o alarme do tecto e tentei salvar os meu bolinhos. Estavam para o queimado, caramelizado, mas ainda com bom aspecto.

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Fiquei foi sem forno até esta semana.

Antes do fim do prazo do passatempo ainda perguntei quantos dias ainda tínhamos para publicar, mas já foi tarde demais, desculpem-me.

Será que é este mês que consigo participar a tempo? Com  o outro sous chef de baixa até ao fim do mês, e uma semana da férias pelo meio, vamos ver o que consigo.

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De qualquer forma, e ainda que não fosse o que tinha planeado, estes paezinho ficaram mesmo bons e não resisto a partilhar a receita convosco.

Para o isco usei a minha Brites, um isco que me acompanha há anos e que tem sobrevivido a tudo. Como sabem,  quando trabalho com este tipo de massas às quais não acrescentamos fermento, retiro a Brites do frigorifico no dia anterior, alimento-a com farinha e água, deixo-a ganhar vida, e uso-a no dia seguinte.

 

Ingredientes: (10 pãezinhos)

 

140 gr de isco

350 gr de farinha de trigo

1 pitada de canela

1 pitada de sal

1,25 dl de leite

75  g de manteiga

2 colheres de sopa de sal

 

(a quantidade de leite e farinha, pode ser alterada de acordo com o grau de hidratação do vosso isco.)

 

Preparação:

Misturem todos os ingredientes excepto a manteiga numa batedeira usando o gancho. Batam durante 4 minutos. Acrescentem um pouco mais de leite ou farinha até obterem a consistência de uma massa de pão.

Deixem a massa descansar até aumentar de volume. Acrescentem a manteiga à temperatura ambiente batendo de novo na batedeira.

Voltem a deixar levedar. (podem deixar no frigorífica durante uma noite, e terão pãezinhos com uma massa mais parecida a pão estilo de Mafra, ou como eu fiz desta vez, deixei a massa a levedar num lugar quentinho e obtive uma massa mais leve)

 

Moldem os pãezinhos e transfiram-nos para um tabuleiro de forno. Deixem descansar mais meia hora.

Levem a cozer em forno pré aquecido a 175C até estarem dourados ou o forno estoirar.

(eu ainda fiz umas cruzinhas por por cima com icing sugar e água, para aproximar o resultado mais aos hot cross buns que queria fazer.

Sirvam quentinho ou guardem-nos num saco plástico. Podem congelar e aquece-los no micro-ondas antes de servir.

Macaroons de Rosa, morango e tequila

Gosto tanto de fazer macarons. Penso que é a incerteza do resultado, e a esperança de que a prática nos ensine a perfeição.

DSC_0825.jpgFoi um chef francês, na primeira cozinha profissional que pisei, que me ensinou os truques para macarons perfeitos, fechá-los  no frigorífico assim que estão pontos, deixar secar os bolinhos antes de os colocar no forno, usar merengue italiano.

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Mas e ainda com um forno profissional e milhares de macarons feitos, este chef agora  com uma estrela Michelin, falhava. lembro-me de um dia, uns macarons de amora se terem recusado a crescer. Acontece.

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Desta vez o sabor escolhido foi uma bebida que comprámos num sábado de manha na loja sueca do estado onde se vendem bebidas alcoólicas. O sabor deste licor de rosas, tequila e morango é leve e embora um pouco demasiado doce, quase irresistível.

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Macarons de rosa, morango e tequila

  • Ingredientes:
    Para a massa de amêndoa:
    50 gramas de amêndoas picadas peneiradas duas vezes
    50 gramas de icing sugar peneirado
    18 gramas de claras de ovo
    Corante alimentar em pó ou gel (rosa)
    Para o merengue:
    50 gramas de açúcar
    12,5 gramas de água
    18 gramas de claras de ovo
    Para o recheio:
    creme de manteiga italiano 1/4 da receita
  • licor de morangos, rosa e tequila

Preparação:
Aqueçam o forno a 140°C. forrem um tabuleiro com papel vegetal.

Massa de amêndoa:
Misturem bem o icing sugar com a amêndoa picada, as claras e o corante. Reservem.
Merengue:
Levem ao lume o açúcar com a agua até obterem um xarope (120°C). Ao mesmo tempo batam as claras em castelo. Com cuidado deitem o xarope sobre as claras sem parar de bater até o merengue arrefecer.
Misturem 1/3 do merengue na massa de amêndoa e misturem bem. Quando esta mistura estiver mais macia adicionem o resto das claras mexendo até tudo estar bem incorporado. Não precisam de envolver a mistura com cuidado como se estivessem a fazer um soufflé. Saber quando o preparado está pronto, é a parte mais “complicada” para quem faz macarons. Eu vou levantado a espátula e quando a massa cai como se fosse uma écharpe de seda, paro imediatamente.
Coloquem o preparado num saco de pasteleiro e formem os macarons. Batam o tabuleiro um par de vezes na bancada para retirar bolhas de ar. Deixem os macarons secar meia hora antes de os colocar no forno durante aproximadamente 13 minutos.

Para o recheio basta misturar o creme de manteiga com o licor.
Depois de prontos, recheiem os macarons com creme de manteiga e reservem no frigorífico até servir. (macarons devem ser sempre guardados no frigorífico para não secarem demasiado.)

 

 

Megas, gigantes e minis…. e uma bolacha para partilhar

Penso que foi há mais de dez anos que vi pela primeira vez, num blogue que se chamava qualquer coisa como Pimp my snack or Pimp that snack, um mars  gigante.

Gigante!

Mais recentemente surgiu também a loucura da mini comida, uma pizza do tamanho de um dedal, um prato de fish and chips não maior do que uma moeda.

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Imagino que no fundo todos temos em nós ainda uma crianças que quer brincar aos gigantes e comer um bolo inteirinho só com uma dentada, e um gigante  que quer ser criança, segurar numa bolacha com duas mãos e fazer este tesouro durar horas.

A receita de hoje é uma bolacha gigante inspirada na oreo  red velvet criada para o dia dos namorados.

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Admito que acho imensa graça a esta forma de brincar com  a comida, e não falo aqui claro das bebidas e comida americanas, dos copos de coca cola de dois litros ou dos hamburgers com cinco quilos de carne.

Para vos ser sincera, acho até esta cultura de ter concursos em restaurantes onde somos desafiados a comer vinte litros de gelado em meia hora assustadores e desrespeitosos.

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É um incitar ao comer demasiado, ao enfardar em vez de nos alimentarmos e apreciar os sabores do que comemos, é um desperdício, um atentado a quem nada tem para comer, aos animais que morreram em vão, e em última análise ao nosso  planeta. Tao triste é por vezes este mundo da abundância e do excesso em que vivemos.

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A minha mega bolacha cabe nos nossos fornos, e serve duas a quatro pessoas. “Então o que é a sobremesa? “tenho ali uma bolacha…”

Adaptado do canal bigger bolder baking onde podem ver mais versões desta  bolacha e a receita original.

 

Super bolacha Oreo do dia dos namorados

Ingredientes: (1 bolacha dupla que cabe num prato de sobremesa.

Bolacha:

  • 100 g de farinha de trigo
  • 90g de açúcar
  • 70 g de manteiga
  • 2 colheres de sopa de cacau
  • 1 colher de chá de canela moída
  • 1 colher de chá de extracto de baunilha
  • 2 colheres de sopa de leite
  • corante alimentar vermelho

 

Recheio:

  • 1 dl de natas
  • 1 dl de queijo creme
  • 1 colher de sopa de icing sugar
  • 1 colher de café de baunilha (uso vagem de baunilha moída)

 

 

Preparação:

Aqueçam o forno a 180°C

Forrem um tabuleiro de forno com um tapete de silicone ou papel vegetal.

Misturem rapidamente todos os ingredientes para as bolachas, podem até usar um processador de alimentos. Lembrem-se é que este tipo de massas não deve ser amassado para não desenvolver o glúten da farinha.

Enrolem a massa em pelicula aderente e coloquem-na no congelador 15 minutos.

Dividam a massa em duas bolas, coloquem-nos no tabuleiro bem afastadas e espalmem-nas um pouco. (a massa vai baixar e espalhar-se mais durante a cozedura)

Levem o tabuleiro ao forno durante aproximadamente 15 minutos. (o centro da bolacha deve estar ainda molinho)

Deixem as bolachas arrefecer e, entretanto, preparem o recheio.

Batam as natas com o icing suagr e a baunilha em chantilly. Acrescentem o queijo e batam rapidamente. Atenção que se o queijo for baixo em gordura vão perder volume  e quanto mais baterem mais liquido fica o creme.

Recheiem a super bolacha, salpiquem com icing sugar e surpreendam alguém que mereça um presente especial.

Tjejsemlor – as parvas das feministas, e um lanche cor-de-rosa para todos.

A Suécia é conhecido como o país dos que se ofendem facilmente, e de entre todos os suecos, ninguém se ofende com tanta frequência como as feministas.

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Este não é um país perfeito, se és uma mulher em idade de ter filhos tens menos probabilidades de conseguir um emprego do que um homem, os salários das mulheres são em média mais baixos do que os dos homens….
Por outro lado uma mãe solteira tem um imenso apoio do estado, se tiveres como “emprego – mãe” podes sempre largar os miúdos numa espécie de infantário para tratar dos teus assuntos, e a licença de maternidade estende-se por um ano ou mais.
Não vivemos num país onde és apedrejada por olhares para um homem, onde não podes sair à rua sem ser com uma tenda vestida, onde não és mais do que a sombra do homem que te comprou ao teu pai.

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Mas estes assuntos não preocupam em nada as feministas suecas. O que as ofende, o que as faz irem para os jornais a gritar descriminação, não é a morte de mais uma mulher do outro lado do mundo num “acidente doméstico”, é um bolo, um bolo!
E isto porque houve uma Padaria, cuja dona é também mulher, que teve o desplante de vender semlor mais pequenas e cor-de-rosa às quais chamou “ semlor para as miúdas”. As verdadeiras semlor são enormes, eu nunca consegui comer uma inteira, e olhem que gosto de comer, a ideia das mini semlor é fantástica, mas não para as feministas, que desataram logo aos gritos que é por estas coisas que temos bulimia e anorexia.
Patético? Ainda há melhor!
É que ao mesmo tempo que as feministas de Malmö e graças ao lobby hipster e trendy da cidade estavam a obrigar a dona da padaria a mudar o nome dos bolos que vendia, a iniciativa feminista de Estocolmo (partido feminista sueco) servia nas suas festas, adivinhem… “semlor para as míudas” e cor de rosa, para não haver dúvidas.

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Sábado depois do banquete dos maçons e do serviço de jantar, depois de um turno de doze horas, tive de esperar para chegar a casa porque as feministas de Malmö, tinham decidido fazer uma manifestação, aberta segundo o seu manifesto a mulheres e transexuais, às onze da noite.
Estas mulheres desgraçadas, humilhadas, exploradas, largaram a filharada em casa com os maridos, e saíram para as ruas numa espécie de rave ambulante a gritar as palavras de ordem “abaixo o nazismo, abaixo a sociedade patriarcal, abaixo o capitalismo!”
Nazismo…capitalismo, a mesma coisa portanto, está-se a ver, farinha do mesmo saco…

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E eu que como sabem, já tarde na vida mudei de profissão e consegui por nada mais que não o meu esforço e valor, um lugar numa profissão maioritariamente masculina, que lutei por ser respeitada não por ser mulher ou homem, mas sim um bom chef, eu que pago os meus impostos e cumpro os meus deveres de cidadã, senti-me envergonhada.
As feministas suecas fazem-me ter vergonha de ser mulher.
E por isso e só para elas, que fiz estes pãezinhos com a muito tradicional massa de semlor, cor-de-rosa, com pouco açúcar, o estereótipo da sobremesa para mulheres. O viking adorou, e hoje levo uma caixa para partilhar com os meus colegas que (se as feministas sabem disto temos já uma manif à porta do restaurante) me tratam por “honey” ou “love”, e me carregam com os sacos de trinta quilos de farinha, e fazem tudo o que eu por ser mais baixa e mais fraca, e não por ser mulher, não consigo fazer com tanta facilidade.
Abaixo as palermas das feministas suecas!!

Pãezinhos de semlor com doce de morangos e creme fraiche
Ingredientes:
Meia receita de semlor. (sigam as instruções para a massa e cozedura, mas formem pequenos pãezinhos estilo scones)
Doce de morango ( uso sempre o mesmo)
Creme fraiche 34%

Preparação:
Preparem os pãezinhos e deixem-nos arrefecer,
Batam o creme fraiche e misturem um pouco do doce de morangos.
Recheiem os pãezinhos com mais doce de morangos e uma colher do creme fraiche. Partilhem com quem vos respeita e merece, independentemente do seu sexo.