Cevadoto de cenoura e parmesão e as boas intenções

Embora não seja pessoa de grandes planos, votos ou promessas no inicio de cada ano, acabo sempre por pensar em coisas que no principio de cada ciclo gostaria de concretizar.

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Gelado a qualquer hora do dia

Tenho já vos contei muitas vezes, imensa dificuldade em comer de manhã . E se de Inverno ainda aprecio por vezes umas torradas, panquecas ou papas de teff, chegando o calor, até o meu café matinal me custa a beber.

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O meu spiralizer e bolonhesa vegan com pesto de amêndoas

Estou apaixonada pelo meu novo brinquedo-  o spiralizer. “espiralizador?”

Tenho na realidade dois destes gadgets, o viking e eu temos uma wish lista no amazon e ele de vez em quando para me surpreender com um presente, compra às cegas uma das coisas que eu quero, ou duas….iguais. (bem modelos diferentes, ao menos isso!)

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Podem ver as minhas maquinetas na loja da Anasbageri e se estiverem interessados, escrevo um post com a comparação entre os dois modelos.

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A receita de hoje é mais uma das experiências que fiz com a maquineta e é tão fácil e rápida que até parece que estamos num daqueles programas do Jamie Oliver em que ele faz um banquete para um casamento de 200 convidados em 5 minutos.

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Usei uma picadora estilo 1, 2, 3, mas pequenita, o que realmente corta em muito o tempo de preparação da receita, mas podem claro picar os legumes à mão.

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Como sempre neste tipo de receitas, não indico a quantidade em gramas, mas para terem uma ideia, com  os spiralizer  uma courgette alimenta dois adultos.

Esta receita é vegan, sem glúten e sem lactose e não fica em nada atrás da bolonhesa feita com carne e pasta. Acreditem em mim!

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Bolonhesa vegan com pesto de amêndoas – sem glúten ou lactose

Ingredientes: (duas pessoas)

Para o molho:

  • cogumelos (usei portobelo)
  • 1/2 cebola
  • 1 cenoura grande
  • 1 pimento
  • azeite
  • sal e pimenta
  • oregano seco

Para a pasta:

  • 1 courgette
  • fio de azeite

Para o pesto:

  • manjericao  fresco
  • 1 mao cheia de amendoas
  • fio de azeite
  • sementes de abóbora
  • raspa da casca de meio limão
  • (se nao foram vegan  usem também um pouco de queijo parmesão)

 

Preparacao:

Piquem todos os ingredientes para o molho de cogumelos e cozinhem  num tachinho com um fio de azeite. Temperem a gosto.

Enquanto o molho cozinha, usem a picadora, nem precisam de a lavar, para fazer o pesto. Aqui também basta triturar todos os ingredientes. Eu detesto alhos, mas a maioria das pessoas usa um bocadinho de alho no pesto.

“Espiralizem”  a courgette e cozinhe-na com um pouco de azeite, demora segundos! Temperem com sal e pimenta.

Sirvam imediatamente, enquanto a courgette ainda está estaladica.

 

 

 

A receita de que ninguém precisa mas que eu quero muito partilhar

Apesar das muitas reclamações minhas e dos meus colegas acerca das nossas cozinhas, do excesso de trabalho e loucura dos nossos horários, da falta de organização do meu HC (que entretanto melhorou um pouco), a verdade é que a nossa brigada é uma família, e somos ferozmente unidos e leais uns aos outros.
Durante este ano e meio de trabalho no Kramer já passei por momentos muito difíceis, dias em que cheguei a casa e disse ao viking que me ia demitir, já me cortei e queimei vezes sem conta, já fui parar ao hospital.

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Mas há também os momentos felizes que felizmente ainda são mais frequentes do que os maus dias. Um banquete que corre especialmente bem, um telefonema dos meus colegas quando estou doente, um abraço do meu filho Bjarne, servir um prato meu.
Trabalhava no Kramer apenas há uns meses quando soube que devido a um pequeno problema de saúde, teria de ser operada e deixar a cozinha durante uns dias.

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Eu andava triste e assustada, ninguém gosta de hospitais, não é? E creio que para me animar, o HC pediu-me para fazer um prato vegetariano para o menu de almoço da semana seguinte. Hoje em dia, esta é uma situação vulgar, especialmente porque no Stortorget onde tenho agora trabalhado, temos um menu fixo de jantar muito simples, e todos os dias tenho de criar umas alternativas estilo sugestões do chef os pratos do dia. Mas naquela ocasião, e sendo a primeira vez que teria algo da minha autoria no menu, senti-me tão feliz e orgulhosa que me esqueci por uns minutos das agulhas, batas brancas e médicos que me esperavam.
A minha sugestão foi um risotto de beterrabas (estávamos no inverno e por isso muito na estacão das beterrabas), e embora esta pareça uma receita banal, a minha versão é tao deliciosa que nunca mais a deixámos de usar.
No meu último dia antes da ida para o hospital, estava eu a tentar organizar a cozinha que ia abandonar, quando o HC veio colar na parede o meu da semana seguinte. E passando por mim deu-me um habitual safanão e disse “já foste ler o menu?”IMG_0537
Eu fiquei tao comovida, que nem lhe disse que estava na altura de aprender a escrever o meu nome. Pedi uma cópia do menu que guardo religiosamente em casa. Talvez esta história vos pareça exagerada e palerma, mas para mim que passei meses e meses e meses em cozinhas a descascar batatas, a seguir receitas de outros chefs, a ver as minhas propostas de receitas rejeitadas, esta foi uma vitória quase inimaginável e que recordo cada vez que as coisas correm menos bem no restaurante.
E por isso, e embora saiba que não precisam de mais uma receita de risotto de beterraba, aqui fica a minha versão.
Para o risotto ficar vermelho escuro e não cor-de-rosa, é essencial que façam um puré de beterrabas.
Para dar à receita um toque sueco eu uso queijo Västerbotten que podem substituir por parmesão.

A qualidade do arroz também é importante, no restaurante usamos o vulgar arbório, mas em casa opto por carnalori que tem uma melhor textura e mantem melhor a sua forma durante a preparação do risotto. Não há nada pior do que um risotto demasiado cozido e empapado!
Ingredientes para duas pessoas:
2 chávenas de café de arroz carnalori
2 beterrabas
Caldo de vegetais (eu uso caldo de cebola caramelizada)
0,5 dl de vinho branco
1 colher de sopa de óleo
2 colheres de vinagre balsâmico
Sal e pimenta
Pinhões ou nozes
Queijo parmesão, queijo chevre e manteiga a gosto.
Preparação:
Cozam uma das beterrabas em água e sal. Passem o preparado com a varinha mágica.
Cortem a segunda beterraba em cubinhos e salteiem juntamente com a cebola picada. Acrescentem o vinagre balsâmico e deixem reduzir.
Juntem o arroz e o vinho e voltem a reduzir. Aos poucos vão acrescentando o caldo quente, e o  puré, e agitando ou mexendo o vosso risotto.
Quando estiver cozido ao vosso gosto, retirem do lume, acrescentem a manteiga e o queijo parmesão ralado. Sirvam decorado com queijo chevre e pinhões. (eu queimo sempre os meus pinhões, e o pão também é um problema que tenho, por isso desisti de os tostar, mas ficam mais aromáticos e bonitos tostadinhos.)