A guerra das mousses de chocolate e a minha receita vencedora….no momento….

Como já vos contei há uns anos há na minha família uma guerra velada aberta para o prémio da melhor mousse de chocolate.

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Uma semana cheia de mudanças e um pouco de conforto para o meu viking

Eu sabia que era inevitável.
Admito de depois do choque da notícia me comecei a preparar, a convencer de que eu tinha de mudar. “O restaurante não é a tua casa”, “Isto é um emprego não é uma missão”, “deixa de trabalhar horas extras, deixa de fazer turnos de 15 horas sem uma pausa”, “há tantas coisas que queres fazer e nunca tens tempo, aproveita agora”.

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A trabalhar no restaurante há tanto tempo e salvo os dias em que alguém esteve doente, fui poupada ao turno da noite excepto em Setembro.
A partir desta semana deixo os almoços e começo no turno do jantar.
Sou uma pessoa optimista, penso que ter os dias livres representa mais tempo para passear, ler, para o blogue, para testar receitas em casa.
Sou positiva, já não preciso de me levantar todos os dias às 5.30 a.m., apanhar o autocarro às 6.20, começar a trabalhar às 7 da manhã. Deixo a responsabilidade de ter de receber e conferir mercadorias, desempacotar caixas e caixas de alimentos, ter a comida pronta para o staff do hotel, para o serviço de almoço….
Sei que o chefe que vai tomar conta do almoço tem trabalhado de noite desde que começou connosco há quase um ano. Sei que é justo, sei-o, mas tenho medo.

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Receio o estado em que a cozinha vai estar quando eu começar o meu turno porque a verdade é que este chef é o tipo mais desorganizado e porquinho que conheço na cozinha.Receio perder o contacto com o que se passa no hotel durante o dia.
Mas nada é pior do que deixar de ter tempo para estar com o meu viking. Porque a verdade é que ele me deixa a dormir quando sai para o trabalho, e quando eu volto do restaurante ele já está deitado.
Penso muitas vezes se deveria ter continuado a trabalhar num infantário, se deveria deixar este emprego e procurar outro com horários mais estáveis, onde eu pudesse estar em casa todas as noites, onde não trabalhasse todos os sábado e tivesse um dia de folga numa quarta-feira.
Mesmo com todo o apoio do mundo do viking sinto-me culpada, quase como se o tivesse enganado. Porque a verdade é que ele conheceu uma professora, apaixonada por Literatura Medieval, com cabelo longo e mãos bonitas, e passados onze anos tem em casa uma mulher que chega a casa (quando chega) a cheirar a comida, coberta de cortes e queimaduras.

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Não me interpretem mal, não tenho do que reclamar, e não sou mulher para perder tempo com auto comiseração, mas quando estou no trabalho (que na verdade é o meu passatempo), e recebo uma mensagem do marido: “amor, devias estar em casa há três horas”, sinto um aperto no coração.
No fundo o que preciso é de tentar equilibrar melhor o trabalho com a vida privada, aprender a valorizar melhor o que realmente importa.
Hoje neva, está frio, ideal para nos metermos na caminha com chá, livros ou um filme e os nossos meninos. Eu trabalho até às onze da noite, e ao meu viking que vai passar o serão sozinho com três gatos, deixo-lhe estes potinhos de chocolate e uísque.

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Potinhos de chocolate com espuma uísque (não gosto muito desta palavra em português…uísque…soa estranho não?)

Esta é mais uma receita que se faz em minutos, eu faco estes potinhos quando tenho o forno quente depois de o usar para outros cozinhados. (160°C) Podem ou não usar a baunilha ou o uísque, claro.

Ingredientes: (6 potinhos, eu uso chávenas de café)

• 100 g de chocolate amargo
• 100 ml de leite
• 1 ovo
• 1 colher de sopa de sopa de uísque
• Extracto de baunilha

Para a espuma

Ingredientes:
• 1,5 dl de leite
• Uísque
• 1 colher de chá de café solúvel
• 1 colher de sopa de açúcar

Preparação:
Levem a levantar fervura o leite com o uísque e a baunilha. Deitem a mistura sobre o chocolate picado. Misturem, acrescentem o ovo batido, encham as vossas chávenas ou potinhos e colo-quem-nas no forno. (Aquecido a 160°C).
Desliguem o forno e deixem a porta semi-aberta.
Continuem com a vossa vida. Quando o preparado dos potinhos tiver solidificado um pouco coloquem-nos no frigorífico.

Mesmo antes de servir preparem a espuma aquecendo todos os ingredientes e batendo-os com uma varinha mágica.
Deitem a espuma quente sobre os potinhos frios e sirvam imediatamente.

Everlasting Whipsylabub to put into glasses (1789) – Parabéns Laranjinha!!

Para festejar o sexto aniversário do Cinco Quartos de Laranja, tinha de publicar uma receita especial, uma receita escolhida com cuidado e carinho, que fosse também um presente para a Laranjinha. Encontrei-a no livro The Complete Confectioner, publicado em Londres em 1789 por Frederick Nutt –  Everlasting Whipsylabub to put into glasses, um creme cuja leveza e aparente simplicidade escondem uma  combinação perfeita de vários aromas e sabores. Aqui está, com os meus mais sinceros desejos de que o sucesso e vida do teu blogue sejam também everlasting.

Durante o século XVIII nenhuma outra profissão ligada à gastronomia, tinha mais prestígio do que a de confeiteiro. Com a melhoria das condições de vida e a maior fartura de ingredientes, mais e mais pessoas começaram a ter acesso a luxos culinários até então reservados às classes mais altas da sociedade.

Apareceram as primeiras confeitarias onde para além das grandes encomendas de por exemplo esculturas de açúcar para jantares e banquetes, se vendia uma grande variedade de doces, pastilhas, compotas, bolos, biscoitos, cremes, e os muito em voga gelado e sylabub do qual já aqui falámos a propósito de Mrs Beeton.

O sylabub era vendido em copinhos de vidro e caso os clientes não o quisessem comer na confeitaria, tinham de pagar também uma taxa para alugar o copo.

Uma das mais afamados Confeitarias era a Pot and Pineapple em Berlkely square que tinha aberto as suas portas em 1760 e era propriedade de Domenico Negri, um confeiteiro italiano de grande fama na altura  e onde Nutt trabalhou antes de publicar o livro de onde retirei a receita.

Este e outros livros da época, estão disponíveis para leitura ou download. As receitas são por vezes um pouco difíceis de seguir, mas oferecem ideias para combinações de sabores fantásticos. Eu não descanso enquanto não deitar mão à secção dos gelados!

A receita original, numa edição de 1807

E a minha versão, como imaginam muito mais pequena,  mais de 3 litros de natas com indica Nutt, até a mim parece demais.

Ingredientes:

  • 3dl de natas
  • Sumo de meia laranja amarga
  • Raspa da casca de um limão
  • 50 gramas de açúcar
  • 1 colher de café de água de flor de laranjeira
  • 0,25 dl de Sherry (sack)
  • 0.25 dl de vinho branco seco (Rhenish)

Preparação: (Atenção porque é bastante complicado!)

Segundo o original: Bater tudo com um batedor de varas durante meia hora, colocar em copos e reservar até servir. É mais saboroso no dia seguinte.

(Eu usei uma batedeira….não sei se é mais saboroso no dia seguinte porque o sylabub na nossa casa não sobrevive tanto tempo.)