Quase há um ano – o final do TDS e a nossa noite nos Alpes

Este é um post que me tem custado escrever e é agora a menos de duas semanas de mais uma prova que finalmente me forcei a sentar e registar como correu a segunda parte do TDS do ano passado.12002807_981636211894119_7150049840409690360_n.jpg

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As nossas férias V.1 – O dia do TDS

 

Como vos contei no episódio anterior, este dia era a razão da nossa viagem a Chamonix, fazer a assistência ao meu mano que correu em 2015  o TDS.

Leiam os episódios anteriores da nossa saga:

Parte I

Parte II

Parte III

Parte IV

Com o Pedro no quarto ao lado a tentar descansar e o viking também a dormir, eu fui a primeira a acordar, eram talvez três da manha. Preparei-me e preparei o pequeno almoço para os rapazes e a nossa marmita. A geleira que lavávamos no carro estava a estoirar de comida e bebidas,  mais as inúmeras latas de red bull para o Pedro e  o Magnus.

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Acordei o Magnus e à última da hora o meu mano.

Carregámos com a geleira e a mochila de apoio, metemo-nos no carro e partimos rumo a Courtmayeur em Itália via túnel do Mont Blanc.

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A viagem foi feita em quase completo silêncio, o Pedro ainda dormiu, comeu uma banana e bebeu red bull, eu temi pelo estado do seu estômago antes de começar uma prova de 120 kms, mas calei-me e bebi antes o meu café.

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Chegámos a Courtmayeur ainda era noite cerrada, havia já imensa gente, música, corredores e apoiantes, mal conseguimos estacionar o carro!

Despedimo-nos do meu mano, fomos para um lugar onde o  pudéssemos ver passar, e ele lá foi para a zona de partida.

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Podem ver o nosso vídeo da partida do TDS aqui.

Assim que o Pedro passou por nós, tentámos voltar ao carro, o que foi difícil porque já não sabíamos onde tínhamos estacionado e não conhecíamos a cidade. (isto é incrível, uns correm 120 kms por trilhos nos alpes, outros perdem-se no caminho de volta ao carro.)

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A maioria dos assistentes de corredores estrangeiros usam um autocarro que faz o percurso da corrida e leva também os corredores a Itália ou os traz de volta de Chamonix caso tenham de abandonar a prova.

Para acompanhar o Pedro seguimos de carro o percurso do autocarro visto haver zonas dos Alpes por onde a prova passa que não têm estradas!

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Guiámos para o primeiro encontro com o Pedro para Col du Petit Saint Bernard. Foi uma parte do dia magnifica, vimos o Sol nascer, recebemos as primeiras SMSs a dar conta da passagem do Pedro pelos postos de controlo.

Col du Petit Saint Bernard é uma vilazinha do meio de nada, e tao isolada que o acesso fecha ao transito durante o Inverno. Chegámos ainda umas horas antes da passagem do Pedro, mas o café local estava já a servir os assistentes e voluntários desta passagem.

Bebemos café, aplaudimos os primeiros atletas e dormimos uma sesta no carro.

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O Pedro passou por nós fresco e bem disposto, ainda caminhámos um pouco com ele, perguntámos se precisava de alguma coisa extra para o próximo posto e cheios de orgulho voltámos ao carro.

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Próximo encontro era em Bourg Saint German. Isto até vos vai parecer mentira, mas ele chegou ao posto a correr mais rapidamente do que nós de carro. (o facto de não conseguirmos estacionar  de estarmos perdidos na cidade não ajudou.)

Estávamos nós a tentar encontrar  a tenda de apoio (esta era uma paragem onde podíamos dar-lhe comida e bebida fora da fornecida pela organização) quando recebemos a mensagem de que ele já tinha chegado.

Desta vez entrei eu para a zona de apoio. Não quis comer, bebeu red bull trocou de roupa e  encheu os bolsos da mini mochila com mais gel, trocou de baterias, e estava pronto para a próxima etapa.

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Neste posto  o Pedro estava já com alguns amigos, uma menina também a fazer assistência, um participante a reclamar do calor e a insistir que ia parar porque a próxima etapa ia ser má. Estávamos aqui já ao km 51!

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“Vais ali e enches a garrafinhas dele, há umas senhoras com mangueiras.”

O Pedro mal descansou, eu  que por esta altura já sabia o percurso de cor, lá lhe indiquei tempos e distancias, e combinamos encontrarmo-nos dai a 15kms em Cormet de Roselend.

E com o dia a meio, 50 kms já percorridos um mano a caminho da próxima paragem de apoio e um viking a pedir comida, termina esta primeiro post dedicado ao TDS.

Não percam no próximo episodio:

Corações apertados, frio e escuridão, como passámos a nossa noite nos Alpes.

As nossas férias IV – Chamonix – frio, neve e o abismo

Leiam as anteriores partes da nossa aventura deste verão:

Parte I

Parte II

Parte III

Acho que nunca publiquei um post com tantas fotografias!

Acordámos quarta-feira, no quinto dia da nossa viagem, já em Chamonix. Como o meu mano vinha dormir connosco na noite antes da prova, tínhamos-lhe marcado um quarto ao lado do nosso, e escolhemos um hotel com piscina e  sauna para ele poder relaxar.

O nosso hotel.- fotografias do site.

O nosso hotel.- fotografias do site.

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Para este dia tínhamos escolhido subir à Aiguille du Midi, e o Step into the Void.

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 A Aiguille du Midi é o pico que fica situado a 3842 metros de altitude no  massivo do Mont Blanc dos Alpes franceses, é o mais próximo que nos podemos aproximar do do pico do Mont Blanc se não formos alpinistas.

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A subida é feita do centro de Chamonix em gondolas. È uma subida um pouco assustadora porque vamos literalmente pendurados por cabos a balançar no ar.

 

Para as crianças é especialmente difícil,  por isso não levem os vossos minis se lá forem.

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A vista depois da tormenta da subida é realmente do outro mundo, mesmo para mim que detesto neve.

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Da Aiguille du Midi temos também acesso ao “Step into the Void”, com o qual o meu Viking estava a sonhar desde começamos a planear esta viagem.

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O“Step into the Void”  é um espaço com paredes e chão de vidro a uma altitude de 3842 metros. Por baixo do chão de vidro estão 1000 metros de abismo.

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Eu admito que estava tão  gelada que talvez não tenha apreciado esta manhã  nos Alpes tao bem como se estivesse bem agasalhada. Valeu-nos a cafeteria onde ainda bebemos um café com leite antes da viagem de volta a Chamonix, onde estava  calor e imenso Sol.

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Este era o dia antes da prova do Pedro e ele passou-o nos seus preparativos, nós depois de almoço e de um passeio por Chamonix fomos às compras ao Carrefour.

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Chamonix – Agosto 2015 – 1 dia antes do TDS

 

Eu pronta para alimentar  o meu Viking e possivelmente o mano durante a sua prova comprei tudo desde chocolate para fazer chocolate quente, café, pão, fruta, nutella, doces, até sopas daqueles que se fazem na caneca.

Comprei até termos!

Fomos buscar o meu mano e regressámos ao  hotel para jantar e forçar o meu mano a descansar um pouco antes da prova.

Recolhemos aos quartos quase às dez da noite, o Pedro jantou frango com massa, sem molho, sem legumes, sem sobremesa. Eu para dar apoio moral comi apenas saladas. O viking comeu tudo a que tinha direito. Tinha de se alimentar porque ia passar as próximas trinta horas fechado comigo no carro Alpes acima Alpes abaixo.

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“Pedro, tens de descansar….despacha-te!”

No seu quarto o Pedro  fez connosco a sua mochila de apoio que nós íamos levar no carro, deu-nos os dorsais  de acompanhante, e preparou-se para o dia seguinte. (A preparação. desde colar a “tatuagem” com o percurso no braço, a fechar-se com a barbeadora na casa-de-banho e sair com menos pelos no corpo do que eu, a embrulhar-se numa fita adesiva, penso que para ajudar a suportar os músculos, demora horas e eu vou-vos poupar aos detalhes, e à carga de nervos que apanhei a ver o tempo que ele ia descansar a passar….)

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Eu voltei ao meu quarto à uma da manha, o Viking já a dormir.

O TDS a prova que o Pedro correu, começa cedo em Courmayeur em Itália e nós tentámos todos descansar tanto quanto possível, a grande aventura estava a aproximar-se.